A Vida no Centro

Francine Costanti

Olhar literário

Francine Costanti é jornalista, e seus textos - na maioria sobre cultura e entretenimento - já passearam pelas redações dos portais iG, R7 e Sesc-SP. Hoje é redatora na agência Vert e escreve sobre marketing de conteúdo. Como inspiração pessoal, a ideia aqui é explorar a cena de música e literatura do Centro de São Paulo, desde os contos literários de Mário de Andrade até as letras de Emicida. Esse espaço é feito para e por todos. Por isso fique à vontade para deixar sugestões.

Um samba no Bixiga

Quer um programa legal para uma sexta-feira? Que tal conhecer o Samba da Treze, na Rua 13 de Maio, no coração do Bixiga

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Está de bobeira em plena sexta-feira? Vá conhecer o famoso samba no Bixiga! Aí você vai me dizer: “mas eu não gosto de samba”. Mude já sua cabeça, porque lá não existe idade certa, roupa ideal e muito menos limitações para gêneros musicais. Não é só pelo ritmo, mas pela experiência de estar junto de muitas pessoas diferentes sentindo a vibração do lugar que exala a união entre o estilo raiz e atual.

A primeira vez que eu apareci por lá foi desse mesmo jeito, sem ter marcado nada antes. Como boa amante do samba malandro, fui até lá pra conferir a fama que me foi apresentada. Era uma noite de muito calor, daquelas que pedem uma boa cerveja gelada… E lá fui eu andar por aquelas ruas cheias de cores, gente conversando nas esquinas, vizinhos que se encontravam para botar o papo em dia e curiosos tirando fotos das muitas casas antigas.

O samba e suas gentilezas

Eu e um amigo procurávamos mesa pra sentar e um senhor nos ofereceu duas cadeiras, dessas de plástico mesmo, sem nenhum luxo. Ele estava com uma cachaça na mão e um cigarro na outra. Nos olhou e disse: “Sentem aqui, fiquem tranquilos. Daqui a pouco meus amigos chegam e começamos essa festa que acontece toda sexta-feira. Já é encontro marcado. Aqui no Bixiga é assim, mexeu com vocês, mexeu comigo. Aqui não tem confusão, só alegria”. E ainda completou: “Querem uma bebidinha? Essa é das boas!” Eu logo experimentei só pela simpatia dele. Parece história de crônica, né? Mas é a pura verdade!

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O Bixiga é cool: um roteiro para curtir o bairro muito além das cantinas italianas

O samba acontece ali na famosa Rua 13 de maio em frente à Igreja da Achiropita, por isso o nome “Samba da Treze”. O grupo Madeira de Lei aparece por lá toda sexta, pontualmente às 20h. É a hora marcada para sambar. No repertório só coisa fina: Cartola, Alcione, Jorge Aragão, Paulinho da Viola, Nelson Cavaquinho, Fundo de Quintal, Noel Rosa, Almir Guineto e, claro, Adoniran Barbosa. Ali na calçada, já em pé, senti a energia boa do lugar, a céu aberto, na rua, sem nenhuma complicação.  A festança só termina perto das 0h.

O samba continua

Além do famoso Samba da Treze, que acontece ocasionalmente também aos sábados, você pode explorar a região e, se gosta de samba-enredo, vale a pena dar uma passada na quadra da Vai-Vai, que também fica a poucos minutos dali.

O Samba do Sol, que resgata o ritmo para o público mais jovem, acontece periodicamente na casa de shows Mundo Pensante. A festa começa às 16h e só termina às 2h da madrugada. Pra saber quando será o próximo e só conferir a programação no site. Já aproveite para chegar mais cedo e almoçar nas cantinas italianas da região, que servem massa da melhor qualidade.

No domingo ainda rola a clássica Feira de Antiguidades do Bixiga, que fica ali na Praça Dom Orione, com comidas temáticas italianas, o famoso cannoli, venda de vinis raros, objetos de decoração e roupas vintage. Uma delícia passar o fim de semana por lá. Vale a pena!

Tem coisas incríveis acontecendo no Bixiga e você pode se atualizar nesse site dedicado ao bairro.

Deixo vocês com essa delícia de vídeo com Adoniran e Elis Regina no melhor estilo boêmio paulistano com “Um Samba no Bixiga”: