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Parque Augusta
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Acordo cria Parque Augusta e boulevard de ligação à Praça Roosevelt

Centro de São Paulo ganha mais um parque: uma área verde de 24 mil metros quadrados entre ruas Caio Prado e Marquês de Paranaguá. Veja detalhes do Parque Augusta

O Centro de São Paulo ganha mais um parque. Desta vez, um parque com uma grande área verde, numa parte da cidade que tem poucas áreas verdes e que vem ganhando prédios mais altos e com projetos que se comunicam pouco com a rua. O Parque Augusta ficará entre as Ruas Caio Prado e Marquês de Paranaguá, a um quarteirão da Praça Roosevelt, outra importante área pública do Centro, que recebe moradores e visitantes de toda a cidade.

O acordo que permite a criação do Parque Augusta foi assinado pelo prefeito Bruno Covas, Ministério Público Estadual, as empresas Albatroz e Flamingo (Cyrela e Setin), proprietárias da área, além da Samorcc (Sociedade de amigos, moradores e empreendedores dos bairros Cerqueira César, Consolação e Jardins), o Movieco (Movimento Ecológico) e a Amacon (Associação de Moradores e Amigos do Bairro da Consolação e Adjacências).

Agora, precisa ser homologado pela Justiça. Se for seguido o cronograma, as obras começam no próximo ano e o parque será entregue em 2020.

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Um acordo chegou a ser firmado no ano passado, mas não foi adiante porque não houve acordo sobre as compensações às empresas donas do terreno. No acordo atual, além do Parque Augusta será criado um bolevard, na Rua Gravataí, ligando o parque à Praça Roosevelt.

As empresas donas do terreno – Cyreall e Setin – serão compensadas com certificados de Transferência do Direito de Construir, um instrumento previsto no Plano Diretor e que pode ser vendido a outras empresas do mercado. Elas terão direito a construir 3.322 m² acima do permitido sem pagar nada aos cofres públicos. 3.322 ma termos de potencial construtivo em outras áreas da cidade.

Participação da sociedade

A participação da sociedade civil, que nos últimos anos passou a atuar mais fortemente, demandando a manutenção desta área como um parque público, foi destacada pelo prefeito Bruno Covas.

Prefeito Bruno Covas assina o acordo para a criação do Parque Augusta Foto: Heloisa Ballarini/Secom

Prefeito Bruno Covas e outras autoridades assinam o acordo para a criação do Parque Augusta Foto: Heloisa Ballarini/Secom

“Hoje é um dia de muita felicidade para a cidade de São Paulo, em que demonstramos ser possível acreditar no diálogo. O que temos aqui é fruto da participação e do envolvimento da sociedade civil, do Ministério Público, do poder legislativo, da Prefeitura, dos empresários, uma série de pessoas que participaram e se dedicaram para que pudéssemos assinar esse acordo”, disse Covas.

“Este projeto é um sonho da sociedade civil. Hoje é um dia de festa, pois todos contribuíram, de alguma forma, para que esse dia chegasse”, afirmou o promotor do Ministério Público, Silvio Marques, que conseguiu a repatriação de parte dos recursos desviados pelo ex-prefeito Paulo Maluf e reservou este dinheiro para a criação do parque.

O termo firmado agora encerra uma disputa judicial que começou na década de 1970, e já teve diversos projetos e destinações. Até que grupos de moradores da região pressionaram o poder público a não autorização a construção de edifícios no local e reservar o local como área verde.

Parque Augusta

Parque Augusta

Parque Augusta

Parque Augusta fica em um terreno de aproximadamente 24 mil m² no Centro de São Paulo que preserva sua vegetação significativa e bens de valor histórico. Os parques mais próximos são Buenos Aires, Mario Covas e Trianon.

O projeto foi pensado de acordo com os parâmetros definidos no Plano Diretor, que determina uma Taxa de Permeabilidade mínima de 90%, ou seja, somente 10% da área do parque pode ser impermeabilizada. Também foram pensadas diretrizes para garantir a acessibilidade e a preservação do patrimônio tombado na área, que inclui toda a vegetação do bosque, a edificação remanescente do antigo Colégio Des Oiseaux, além do portal localizado na Rua Caio Prado.

Termos do acordo

  1. Doação dos imóveis (ZEPAM – LPUOS/16), com o propósito de implantar o Parque Municipal Augusta(lei 15.941/2013), com direito de transferência de potencial construtivo calculado de acordo com as regras do PDE/14
  2. Como contrapartida ao Ministério Público e os processos das Ações Populares, as empresas vão executar obras e pagar à Municipalidade a quantia de R$ 10 milhões, sendo:
    1. R$ 6,25 milhões à implantação do Parque Augusta, incluindo o restauro dos bens tombados e construção do Boulevard da Rua Gravataí
    2. R$ 2 milhões à para manutenção por 2 anos do Parque Augusta incluindo as áreas verdes, edificações e zeladoria
    3. R$ 1,75 milhãoà para obras de SMADS (ILPI Canindé, CCInter Tucuruvi) e melhorias em escolas municipais e outros equipamentos públicos, a critério e conveniência da Administração

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