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A Vida no Centro

Fonte da Praça Ramos de Azevedo, em obras. Foto: Denize Bacoccina

Fechada para reforma, Praça Ramos de Azevedo será entregue em dezembro com festa ao ar livre

Grupo de empresas italianas está investindo R$ 3 milhões na reforma, que vai restaurar a fonte, estátuas, iluminação e jardim. Veja como vai ficar

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Tempo de leitura:5 minutos

Por Denize Bacoccina

A festa já está marcada: no dia 16 de dezembro, sábado, a Praça Ramos de Azevedo será entregue à população de São Paulo totalmente remodelada, com uma grande festa envolvendo o corpo artístico do Theatro Municipal, com apresentações ao ar livre entre o teatro e a praça.

O espaço de 4,5 mil metros quadrados está coberto por tapumes e será entregue neste dia  completamente restaurado, com limpeza e proteção dos monumentos, recuperação da fonte luminosa, reforma do calçamento e replantio do jardim. O projeto usa tecnologia moderna para trazer a praça de volta ao esplendor das primeiras décadas do século 20, quando foi construída como jardim do Theatro Municipal, na época a área mais nobre da cidade.

O projeto, denominado Italia per San Paolo – Monumentando e Restaurando a Cidade, é bancado por um grupo de empresas italianas organizado pela Italian Trade Agency (ITA), entidade do governo para apoiar a atuação de companhias italianas em outros países. O projeto total é estimado em R$ 5 milhões, dos quais cerca de R$ 3 milhões estão sendo investidos na Praça Ramos. O projeto inclui ainda a reforma da praça Imigrante Italiano, em Pinheiros, já entregue, e da praça Cidade de Milão, em Moema, que ficará pronta em 26 de novembro.

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Após a entrega da nova praça, o grupo de empresas liderado pela ITA quer fazer  uma parceria com a Prefeitura para continuar cuidando do local pelos próximos dois anos. E mais: está tentando encontrar um empresário para instalar uma atividade comercial, de preferência um restaurante, no antigo museu do teatro, na parte de baixo do Anhangabaú, local que pertence à Secretaria da Cultura e pode ser alugado. Assim, a presença de pessoas circulando no local ajudaria na segurança. “Queremos que a praça permaneça viva”, diz Ronaldo Padovani, analista de negócios do ITA e responsável pela obra, em entrevista ao projeto A Vida no Centro.

Proteção antipichação

Além da limpeza dos monumentos, que receberão um revestimento anti-pichação que permite a limpeza de tinta com jatos de água, a segurança foi um dos principais pontos do projeto. Para isso foram instalados novos postes, mais baixos, para iluminar o caminho dos pedestres, além dos postes altos que já existem no local. Também será reforçada a iluminação no muro de contenção atrás da fonte dos Desejos, que está sendo totalmente recuperada, com mudanças no sistema de água pra evitar que o jato espirre nas pessoas.

Tapumes cercam a praça, onde as obras acontecem em ritmo acelerado. Foto: Denize Bacoccina

Tapumes cercam a praça, onde as obras acontecem em ritmo acelerado. Foto: Denize Bacoccina

Das 14 estátuas da praça, quatro vão ganhar iluminação cenográfica, com cabeamento enterrado para evitar furto do material. Haverá ainda câmeras de segurança que permitem ler a placa de um carro a um quilômetro de distância, o que deve ajudar a inibir ações de vandalismo e também os assaltos. “O que a gente acredita que evita vandalismo e criminalidade é a ocupação do espaço. A partir do momento em que ele passa a ser visitado por mais gente, em todos os períodos, é natural que diminua”, diz Padovani.

Todo o processo de restauro e revitalização podem ser acompanhados pelo site.

História da Praça Ramos de Azevedo

Na época da construção do Theatro Municipal, em 1911, a praça era conhecida como Esplanada do Teatro, e desde o início foi concebida com um chafariz instalado na parte mais elevada da encosta.

Em 1922, a Prefeitura aprovou o projeto de construção de um monumento em homenagem ao maestro brasileiro Antonio Carlos Gomes. A obra, de autoria do artista italiano Luigi Brizzolara, é composta por 12 conjuntos escultóricos, representantes personagens das óperas de Carlos Gomes, que se espalham em torno da fonte. A estátua do maestro ocupa a parte mais elevada do conjunto, em posição contemplativa para o vale, ladeado por diversas estátuas que representam personagens das suas mais importantes obras líricas. Foi um presente da comunidade italiana à cidade de São Paulo no primeiro centenário da independência do país.

Quase cem anos depois de sua inauguração, o conjunto escultórico é inteiramente restaurado. Do outro lado do vale do Anhangabaú, numa pequena praça encravada entre os dois edifícios Prates, também será restaurado o monumento que homenageia Giuseppe Verdi. A obra, realizada em bronze e granito, é de autoria de Amedeo Zani, italiano natural de Rovigo, cidade do nordeste da Itália, e que, entre idas e vindas, realizou inúmeros trabalhos no Brasil, tendo inclusive ensinado desenho, pintura e escultura no Liceu de Artes e Ofícios, a pedido de Ramos de Azevedo.