Assine nossa Newsletterfique por dentro de tudo o que rola no centro

A Vida no Centro

Saiba onde comprar orgânicos no centro de São Paulo

Instituto Feira Livre monta loja colaborativa de orgânicos no centro de São Paulo. Veja outras opções e endereços

Publicado em:
Tempo de leitura:5 minutos

Por Denize Bacoccina

No início do ano, quando me mudei para a Praça Roosevelt, procurei no Google, perguntei a amigos, mas não consegui encontrar uma boa loja de orgânicos na região. A única opção era assinar uma das cestas dos sites de entregas, quase sempre caríssimas, ou viajar vários quilômetros para se abastecer numa das feirinhas da cidade – em um número ainda surpreendentemente baixo para uma cidade do tamanho de São Paulo e todas a pelo menos 20 minutos de carro.

Alguns meses depois, lojas especializadas em orgânicos começaram a aparecer. E agora, fim de 2017, são duas na região da República, a poucos quarteirões uma da outra, embora uma em cada lado do Minhocão.

E a outra boa notícia é que ambas as lojas se propõem a vender alimentos orgânicos por um preço justo. Ou seja, bem mais em conta do que nos sites que fazem entrega ou nos supermercados, onde, além de caros e com pouco variedade, o excesso de isopor nas embalagens elimina qualquer discurso de sustentabilidade.

E uma terceira – esta, já instalada desde 2016, mas um pouco mais distante, no Campos Elíseos – vende alimentos provenientes de agricultura familiar e assentamentos da reforma agrária, num ciclo entre produtor e consumidor. Veja os detalhes de cada loja:

Instituto Feira Livre, na Rua Major Sertório

Instituto Feira Livre, na Rua Major Sertório

Orgânicos no centro de São Paulo

No primeiro fim de semana de dezembro foi inaugurada na Rua Major Sertório, 229, a loja do Instituto Feira Livre. Num modelo colaborativo e sem fins lucrativos, a loja promete total transparência no preço dos alimentos, que serão vendidos pelo valor de custo, com uma margem de 35% para cobrir as despesas fixas, incluindo os salários dos membros do instituto. O modelo é o mesmo do Instituto Chão, que funciona na Vila Madalena.

A loja surgiu da necessidade pessoal dos membros do grupo, insatisfeitos com os preços e pouca variedade dos orgânicos nos supermercados. Trata-se de um grupo diversificado, de profissionais de outras áreas, como arquiteto, designer e outros profissionais. Marcela Esposito Baena, por exemplo, quase se formou em Química, quando percebeu que não era bem isso o que queria e começou a pesquisar o mercado de orgânicos e veganos. “Não estava contente com o que fazia, queria trabalhar com gastronomia, tanto orgânica quanto vegana”, conta ela, que está montando com uma amiga uma marca de produtos veganos e desenvolvendo produtos que sejam acessíveis ao consumidor.

Ela se juntou ao grupo depois de uma viagem, quando conheceu um amigo de uma das integrantes da equipe. Marcela faz parte do grupo que, há um ano, vem mapeando fornecedores de produtos orgânicos em todo o país, de produtores de leito em Alagoas a grãos do sul e frutas do Nordeste.

A lista conta com mais de cem empresas, que além de produtos de qualidade passaram no crivo de boas práticas. A compra inicial foi feita com recursos levantados num financiamento coletivo e a variedade de produtos vai aumentar à medida que o caixa for sendo reforçado com as primeiras vendas. O objetivo é só ter produtos que estão na época, e mostrar para o consumidor que não é possível ter tudo o tempo todo.

A loja tem ainda um café, que serve bolinhos doces e salgados feitos no local.

Orgânicos 35, na Rua Marquês de Itu

Orgânicos 35, na Rua Marquês de Itu

Orgânicos 35

A primeira loja a se instalar na região foi a Orgânicos 35, na Rua Marques de Itu, 456. O dono, Rafi Boudjikianm, é dono do Site dos Orgânicos, um dos pioneiros do mercado, e há anos queria ampliar seu público com uma loja que vendesse esses alimentos com uma margem de lucro limitada.

Embora tivesse um site bem-sucedido, Rafi se incomodava que os orgânicos ocupassem um mercado premium nos supermercados, o que permitia grandes margens de lucro e limitava o crescimento para além de um nicho. Ele acreditava que era possível baixar os preços e ampliar o mercado para os produtos. O lucro limitado a 35% resulta em preços bem menores do que os dos supermercados, além de produtos mais frescos.

O sucesso da loja, aberta em maio, foi tão grande que o horário de funcionamento, que era de meio período, foi ampliado para até às 19 horas. A loja tem uma boa variedade de produtos in natura, entregues diretamente pelos produtores. Tem também produtos de mercearia que vêm de várias regiões do Brasil.

Armazém do Campo, loja e café com música ao vivo

Armazém do Campo, loja e café com música ao vivo

Armazém do Campo

No bairro de Campos Elíseos fica o Armazém do Campo, loja do Movimento dos Sem-Terra, que comercializa produtos orgânicos e agroecológicos provenientes de assentamentos da reforma agrária e agricultura familiar. Com o lema “alimentar-se é um ato político”, a loja quer fazer um contraponto ao agronegócio e mostrar que é possível produzir alimentos saudáveis e garantir renda aos produtores com a venda direta.  A loja tem hortifrútis e mercearia e uma grande variedade de cervejas artesanais. O estoque é menor do que o das outras duas lojas, mas em compensação tem um café e uma trilha sonora que convida a se demorar no lugar. E ainda tem música ao vivo nas noites de sexta.

Onde comprar:

Instituto Feira Livre

Rua Major Sertório, 229, República

Funciona de terça a sexta, das 8 às 14h e aos sábados das 9 às 15h

Orgânicos 35

Rua Marquês de Itau, 456, Vila Buarque

Tel. (11) 3486 0330

Funciona de segunda a sexta, das 9h às 19h. Sábado das 9h às 15h

Armazém do Campo

Alameda Eduardo Prado, 499 – Campos Elíseos

Tel. (11) 3333-0652

Funciona de segunda a sábado, das 8h às 20h

 

Leia também:

O BIXIGA É COOL: UM ROTEIRO PARA CURTIR O BAIRRO MUITO ALÉM DAS CANTINAS ITALIANAS