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A Vida no Centro

Projeto Centro Novo, de Jaime Lerner, reforça vocação do centro para economia criativa

Projeto de Jaime Lerner prevê ações como ampliação de horários de funcionamento para criação de economia noturna no centro de São Paulo e abertura da Avenida São João aos pedestres aos domingos

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A Prefeitura de São Paulo recebeu nesta terça-feira, 26 de setembro, o projeto Centro Novo, que propõe uma mudança urbanística e a modernização da região central da cidade. O projeto foi contratado pelo Secovi e elaborado pelo escritório Jaime Lerner Arquitetos Associados, de Curitiba.

O projeto prevê ações urbanísticas na área do centro tradicional e nas regiões do Parque Dom Pedro, Mercado Municipal, Luz, Praça Júlio Prestes, Santa Cecília, Arouche, República e Praça Roosevelt.

Economia criativa no centro de São Paulo

Jaime Lerner, que é arquiteto e urbanista, já foi prefeito de Curitiba e já fez vários projetos urbanos, propõe um processo de requalificação do centro de São Paulo, a partir de intervenções que tornem a região mais amigável e atrativa para a população, reforçando a vocação do centro como um polo de economia criativa.

O arquiteto diz que há potencial  para sete polos na região: polo digital e de multimídia, de música, de artes, de vídeo e cinema, de teatro, gastronômico e de moda. São atividades que conferem à região uma atmosfera dinâmica, vibrante, cosmopolita e contemporânea, com potencial para atrair não apenas visitantes mas novos moradores para a região central, o que criaria ainda mais dinamismo e faria a região voltar ao protagonismo que teve até meados do século passado na vida da cidade.

Prefeito João Doria e o arquiteto Jaime Lerner na apresentação do projeto Centro Novo. Foto: Heloisa Ballarini/Secom

Prefeito João Doria e o arquiteto Jaime Lerner na apresentação do projeto Centro Novo. Foto: Heloisa Ballarini/Secom

Para aproveitar esse potencial, Jaime Lerner propõe a instalação de incubadoras, coworking, residências artísticas em edifícios históricos (restauro/retrofit), realização de eventos, divulgação de atividades ligadas aos polos e ações denominadas de “acupuntura urbana”, intervenções pontuais para curar problemas específicos e sanar o espaço urbano como um todo.

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Uma das ações propostas é a extensão do horário de funcionamento de algumas atividades, para a criação de uma economia noturna. Este é o um aspecto que São Paulo, que já foi conhecida como uma cidade que funcionava 24 horas, perdeu nos últimos anos, com constantes restrições de horário de funcionamento inclusive de bares e restaurantes.

São João para pedestres aos domingos

O arquiteto também propôs o fechamento da Avenida São João aos carros aos domingos, transformando a rua num espaço para os pedestres, como já acontece com a Avenida Paulista e outras avenidas da cidade. Ele defende ações para estimular o uso do espaço público, como a realização de feiras noturnas, circuito de eventos e cinemas ao ar livre, pocket parks, um aplicativo de fidelidade para o centro, grafites de luz e vídeo mapping nos prédios da região.

No projeto de Jaime Lerner Avenida São João seria dos pedestres aos domingos

No projeto de Jaime Lerner Avenida São João seria dos pedestres aos domingos

A criação de boulevares com tratamento urbanístico completo, com melhoria de calçadas, arborização, iluminação, acessibilidade e mobiliário urbano, foi outra das ações propostas.

Urbanismo de uso misto

O objetivo é aumentar o adensamento com novas construções de uso misto, integrando comércio e residências, garantindo vida e movimento de dia e também à noite. Esse uso misto pode reverter um dos maiores problemas da área central, que é o esvaziamento noturno, quando se encerram as horas normais de funcionamento das atividades instaladas na região. Para isso, também, ele propõe atividades que funcionem até mais tarde, mantendo o movimento nas ruas.

O transporte não foi esquecido. Lerner propõe a criação de um ônibus elétrico circular interligando todo o centro, com um trajeto passando por marcos da região, como a Pinacoteca, a Sala São Paulo, o Theatro Municipal e as galerias comerciais, conectando toda rede de transportes do entorno, que tem várias estações e terminais de ônibus, trens e metrô.

Ele prevê ações de curto, médio e longo prazo, e um período de oito anos para que o projeto seja totalmente implantado.

O plano foi entregue nesta terça-feira mas a Prefeitura não informou quais serão os próximos passos.  O prefeito João Doria disse apenas que buscará participação do setor privado para viabilizar o projeto.