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A Vida no Centro

Cine Bijou reabre na Praça Roosevelt com o mesmo espírito combativo do passado

Novo espaço é uma homenagem ao antigo Cine Bijou, cinema de rua que foi foco da resistência artística e política à ditadura militar nos anos 1960 e 1970

Publicado em:
Tempo de leitura:5 minutos

Por Clayton Melo

Foco de resistência política e artística durante a ditadura militar, nos anos 1960 e 1970, o Cine Bijou é reativado na Praça Roosevelt como um cineclube. Com sessões aos sábados no mesmo endereço do histórico cinema de rua, o número 184 da praça, onde hoje funciona o teatro Studio Heleny Guariba, o espaço preserva o espírito que tinha no passado: provocar debates por meio do cinema de arte.  “A ideia de reabrir o Cine Bijou é criar mais um espaço de reflexão em São Paulo”, diz Roberto Fernández, cineasta argentino responsável pela iniciativa, em conversa com o projeto A Vida no Centro.  

A estreia do Cineclube Bijou foi no sábado, dia 28 de outubro, com a exibição de Cidadão Kane, clássico de Orson Welles. Até o final do ano, o local vai ter sessões somente nas tardes de sábados e com filmes que discutem o jornalismo. No dia 4 de novembro, haverá sessão dupla: Terra em Transe, de Glauber Rocha, às 15h, e Mariguella, às 18h, documentário de Silvio Tendler, que será seguido de debate (veja a programação completa no final deste post).

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O Cine Bijou foi aberto na década de 1960 e funcionou até 1996. Frequentado na época na ditadura por estudantes, intelectuais e artistas, o local era um ponto de encontro dos amantes dos filmes de arte.

Como surgiu a ideia

Radicado no Brasil há 11 anos, Roberto é documentarista. No Brasil, um de seus filmes é “08:15 de 1945”, que conta a história de sobreviventes das explosões atômicas em Hiroshima e Nagasaki, no fim da Segunda Guerra Mundial, que vieram morar em São Paulo.

Roberto conta que a ideia de homenagear o antigo cinema da Praça Roosevelt surgiu de conversas com o ex-deputado estadual Adriano Diogo, que o incentivou e, juntos, foram conversar com a atriz Dulce Muniz, responsável pelo teatro Studio Heleny Guariba.

O projeto de abrir inicialmente para sessões aos sábados foi apresentado, retomando a memória do Cine Bijou, e a ideia prosperou. “Para 2018, tenho a intenção de ampliar os dias de sessões, fazendo de sexta a domingo, mas para isso teremos de ver como viabilizar o projeto”, afirma. “E, no futuro próximo, vamos buscar patrocínio para manter o cineclube e permitir que a entrada para as sessões seja gratuita”.

Nessa reabertura, o modelo encontrado para custear as despesas foi criar uma carteirinha, que custa R$ 50 e dá direito às oito sessões programadas para até 16 de dezembro. A entrada avulsa sai por R$ 10. A intenção é continuar a programação em janeiro e, se possível, já com produções de novos realizadores na agenda. “Há muitos cineastas independentes cujos filmes não são exibidos nos cinemas. Gostaria de ajudar a fazer com essas obras cheguem às pessoas”.

Enquanto a temporada 2018 é preparada, a boa pedida é aproveitar a programação da reabertura.

Confira abaixo os filmes e aproveite:

Horário: 15h
Onde: Praça Roosevelt, 184, no Teatro Studio Heleny Guariba
Telefone: 3259-6940
Quanto: R$ 50 a carteitinha (sócio) e R$ 10 ( avulso)

 Os filmes:

  • 4/11 – Terra em Transe, de Glauber Rocha (15h), e Mariguella, de Silvio Tendler (18h)
  • 11/11 – Rede de intrigas, de Sidney Lumet
  • 18/11 – Capote, de Bennet Miller
  • 25/11 – A Montanha dos Sete Abutres, de Billy Wilder
  • 2/12 – O Quarto Poder, de Costa-Gavras
  • 9/12 – Profissão: Repórter, de Michelangelo Antonioni
  • 16/12 – O Preço de uma verdade, de Billy Ray