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Cinema no Mirante

Mirante 9 de Julho lança crowdfunding para montar cinema a céu aberto

Cine Mirante será aberto e gratuito, com filmes escolhidos pelo público. Veja como participar do financiamento coletivo

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Tempo de leitura:5 minutos

A sala é a cidade. As poltronas são a escadaria e a arquibancada. O ingresso é a reapropriação do espaço público. Esse é o cenário do Cine Mirante, um cinema gratuito, permanente e a céu aberto que a cidade de São Paulo vai ganhar a partir de um financiamento coletivo, lançado nesta quarta-feira, dia 20 de setembro, na plataforma Catarse.

O objetivo de instalar uma tela cinematográfica democrática no Mirante 9 de Julho, espaço público que tem café, restaurante, internet com acesso livre e gratuito e se tornou um dos pontos mais legais da região central de São Paulo. O espaço fica bem atrás do Masp, na Paulista, e em cima da avenida 9 de Julho.

O empresário Facundo Guerra, criador do Mirante 9 de Julho e de vários  empreendimentos inovadores na noite paulista, diz que faltava um cinema realmente democrático na regiçao.

“A Paulista já é nossa Cinelândia: nela, se concentram dezenas de salas de cinema dedicadas tanto a blockbusters como ao cinema autoral. O que falta para a Paulista, e para São Paulo, é uma sala de cinema verdadeiramente democrática e gratuita, focada no cinema que gera questionamento e reflexão. Nada mais urgente do que pensar no cinema como veículo para essa transformação social”, afirma.

Financiamento coletivo

A campanha de financiamento vai durar 50 dias e o objetivo é captar R$ 257 mil com a entrega de recompensas relacionadas ao universo do cinema e das expressões artísticas urbanas. Os valores vão de R$ 20 a R$ 3.480 mil para pessoa física e R$ 5 mil e R$ 30 mil para as empresas.

Reforçando a missão do Cine Mirante de ser um espaço acessível, agregador, compartilhado e de construção de conhecimento através do cinema, três recompensas vão se estender a moradores das periferias da capital, que serão beneficiados por bolsas em cursos de cinema.

A partir de R$ 300 será possível adquirir uma visita guiada com Facundo Guerra, que vai falar sobre negócios e futuros empreendimentos durante um passeio pelo Mirante 9 de Julho, Torre Gazeta, Edifício Altino Arantes (Banespa), Arcos no Teatro Municipal e Riviera.

Veja todos os prêmios disponíveis.

Como será o Cine Mirante

O valor obtido com o crowdfunding Cine Mirante vai possibilitar a compra da tela, estrutura, sonorização e projetor. O Cine Mirante terá 104 sessões por ano – duas a cada semana -, quatro festivais que abordarão questões relevantes e atuais, além de workshops, palestras e debates.

O objetivo é inaugurar o Cine Mirante em dezembro deste ano, com a exibição de 6 filmes que se passam em São Paulo. A curadoria do primeiro ano do Cine Mirante será de Humberto Neiva, diretor da faculdade de cinema da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e programador do Circuito Itaú de Cinema. O objetivo é atrair um público de mais de 50 mil espectadores.

Vista de dentro do Mirante 9 de Julho

Vista de dentro do Mirante 9 de Julho

 

História do Mirante 9 de Julho

Reinaugurado em agosto de 2015, o Mirante 9 de Julho é um espaço multicultural, com restaurante e café aberto ao público gratuitamente. Um espaço onde diferentes iniciativas podem dialogar: arte urbana, projetos musicais, exibições de filmes ao ar livre, feiras independentes, co-working. Um lugar que celebra um novo momento de resgate, ocupação e democratização dos espaços públicos e valorização da cidade.

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Em meados de 1939, na região entre a Av. 9 de Julho e a Av. Paulista havia um mirante, um jardim e o casarão Belvedere Trianon, então ocupado pela elite paulistana. Em 1968, o Belvedere cedeu espaço para o Museu de Arte de São Paulo, com a ressalva de que o mesmo deveria deixar o vão livre para o fabuloso mirante, que contava com uma torre de observação.

Na década de 1970, o então prefeito Paulo Maluf tirou a parte mais alta do mirante para a construção de viadutos para aliviar o trânsito na região da Paulista. O mirante ficou abandonado e se tornou ponto de encontro de homossexuais na década de 80 e nos anos 2000 virou um local de consumo e tráfico de drogas.