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A Vida no Centro

Altino Arantes, que será reaberto em janeiro como Farol Santander Foto: Denize Bacoccina

Santander marca para janeiro reabertura do Altino Arantes como centro cultural

Prédio símbolo de São Paulo está sendo reformado e será reaberto como Farol Santander, espaço para artes, cultura e empreendedorismo

Por Denize Bacoccina

O banco Santander marcou para janeiro de 2018, mês do aniversário da cidade de São Paulo, a reabertura do edifício Altino Arantes, prédio conhecido como Banespão. Inicialmente, a abertura do espaço, que será rebatizado de Farol Santander, havia sido anunciada para novembro, mas o banco resolveu adiar a data em dois meses.

O prédio está fechado à visitação desde 2015, mas continuou sendo utilizado pelo banco para atividades administrativas. Aos poucos, foi sendo esvaziado e reformado para se adequar às novas funções: uma mistura de centro cultural, museu, entretenimento, espaço para criação artística e fomentadora de inovação e empreendedorismo.

Na visão do presidente do Santander, Sérgio Rial, o novo espaço deve ajudar na reconfiguração do centro de São Paulo como um polo de economia criativa. “O Edifício Altino Arantes foi inaugurado na década de 1940 como um símbolo da São Paulo capitalista, no sentido de acumulação de valor”, disse o presidente do Santander Brasil, Sérgio Rial, ao anunciar o novo projeto do banco, no início de agosto.

“Agora, volta a ter vida como Farol Santander, e trará um novo olhar para o Centro da cidade. Será um espaço plural, de conteúdo, com um desenho interno inovador e várias atividades diferentes”, afirmou.

A mudança do nome deve provocar resistência, já que muitos se referem ao prédio como Banespão, por ter sido a sede do então banco do Estado de São Paulo até os anos 1990. Em 2000, já federalizado, foi vendido ao Santander, mas o banco sempre manteve uma atitude discreta em relação ao edifício que se tornou o símbolo da cidade, destaque no skyline paulistano com a bandeira do Estado no topo da antena.

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Farol Santander como museu de Arte

Entre as funções do Farol Santander está a de abrigar e expor a enorme coleção de obras de arte do banco. Essa coleção foi herdada não apenas do Banespa, mas das demais instituições financeiras adquiridas pelo banco espanhol desde que chegou ao Brasil, em 1982. O Santander de hoje é resultado da aquisição de 53 bancos, direta ou indiretamente ao comprar o controlador de outras instituições menores.

O maior deles é justamente o Banespa, adquirido no fim de 2000 no leilão de privatização realizado pelo governo federal. Foi assim que o Altino Arantes chegou às mãos do Santander. Além de patrimônio imobiliário, muitas dessas instituições bancárias tinham grandes coleções de obras de arte, adquiridas diretamente ou como pagamento de dívidas de grandes clientes.

Somente o antigo Museu Banespa tem cerca de 2 mil obras, muitas de artistas renomados como Di Cavalcanti, Cândido Portinari, Iberê Camargo, Arcângelo Ianneli e Tomie Ohtake, além de gravuras, fotografias e tapeçarias e uma coleção de móveis e objetos antigos, mecanografia bancária, documentos, moedas e cédulas que registram a história do dinheiro do Brasil.

Outros bancos adquiridos nas últimas décadas também eram donos de grandes coleções, como o Meridional, no Rio Grande do Sul, e o Bandepe, em Pernambuco. Este enorme acervo deve ser agora armazenado e exposto no Farol Santander.

História do Altino Arantes

O edifício que virou o símbolo de São Paulo nasceu, ironicamente, como uma cópia do Empire State Building, o prédio que mais se destaca no skyline de Nova York, cenário do filme King Kong. O então interventor e depois governador paulista Ademar de Barros encomendou nos anos 1930 um prédio semelhante ao edifício nova-iorquino.

Inaugurado em 1947, o prédio paulistano foi considerado a maior estrutura em concreto armado do mundo, pois outros edifícios altos da época eram construídos com estrutura metálica.

Durante 13 anos o edifício de 161 metros de altura foi o mais alto do Brasil, até perder o posto, em 1960, para o Mirante do Vale, do outro lado do Vale do Anhangabaú, a poucos metros de distância. Foi nesta época, aliás, que a então sede do Banespa foi batizado de Altino Arantes, em homenagem ao primeiro presidente brasileiro do Banespa – no início o banco não era estatal, mas controlado por investidores franceses.

O mirante, o mais alto de São Paulo, com vista panorâmica que pode chegar a 40 quilômetros em dias claros, foi fechado ao público em 2015. A promessa é que volte a receber os visitantes a partir de janeiro de 2018.

Endereço: Rua João Brícola, 24