A Vida no Centro

Mostra Hiperfoto - Brasil, do fotógrafo francês Jean-François Rauzier, em cartaz no CCSP
Publicado em:
Tempo de leitura:5 minutos

Hiperfotos de Jean-François Rauzier mostram São Paulo de um jeito diferente. Veja fotos

Fotógrafo faz imagens que são trabalhadas no computador para criar um efeito que lembra composições cubistas, se confundindo às vezes com uma pintura. Veja imagens

Pintura ou fotografia? Real ou virtual? As obras do francês Jean-François Rauzier costumam despertar esse tipo de dúvida no observador. Suas obras coloridas, ricas em detalhes, poderão ser conferidas na mostra Hiperfoto – Brasil que o Centro Cultural São Paulo (CCSP) até o dia 6 de maio de 2018.

Em seu trabalho, o artista mescla fotografia e manipulação digital para criar novas imagens, de tons surrealistas. São cerca de 100 trabalhos, entre hiperfotos e hipervídeos – recriações de uma série de espaços da cidade. A mostra é parte de uma iniciativa que o artista desenvolve em diversas metrópoles do globo desde 2002, quando começou a desenvolver suas primeiras hiperfotos.

Frustrado com as limitações técnicas da fotografia e inspirado por Polaroid, de David Hockney, Rauzier encontrou na digitalização um universo de possibilidades. As fotos tiradas na rua são trabalhadas no computador, em colagens que também contam com inserções de efeitos visuais, lembram composições cubistas, com inúmeros fragmentos de paisagens.

O Brasil em hiperfotos

Nos últimos quatro anos, o artista francês tomou o Brasil como protagonista de seus trabalhos. Neste período, registrou a exuberância do Rio de Janeiro, o sincretismo de Salvador e a arquitetura imponente de Brasília. Na última fase de seu projeto no País, Rauzier decidiu apontar suas lentes para São Paulo, retratando a arquitetura, o cotidiano e as contradições da megalópole.

Em uma das obras, o artista reúne centenas de casas clássicas e edifícios modernistas da capital, colando na mesma imagem a Igreja da Sé, o Masp e o Auditório do Ibirapuera, que se fundem a casarões dos séculos passados.

Veja fotos:

O fotógrafo também recompôs também a Passagem Literária, espaço subterrâneo sob a rua da Consolação que reúne sebos de livros, exposições e, eventualmente, recebe apresentações musicais. O caráter underground do local impressionou o artista, que decidiu retratá-lo em diversos cliques. Os livros e cartazes, representados em perspectivas distintas, formam um grande mosaico colorido.

Grande marca de São Paulo, a arte urbana também chamou a atenção do francês, para quem o grafite é o principal termômetro de uma democracia e da relação da juventude com a própria cidade. A seu ver, a maneira como se expressam sobre os muros diz muito sobre seus sonhos.

Hipervídeos

A mostra traz ainda um conjunto de hipervídeos que, em formato audiovisual, reproduzem o mesmo efeito das fotografias. Inúmeros fragmentos do cotidiano de São Paulo são combinados e multiplicados, revelando ao expectador a vitalidade daquela que é tida como a mais influente cidade da América Latina. Em um dos vídeos, por exemplo, o artista imortaliza os grafites da Avenida 23 de Maio, apagados em 2017 pela Prefeitura e recentemente substituídos por jardins verticais.

Veja também:

Conheça Campos Elíseos e seus casarões antigos pelas lentes do fotógrafo Juan Esteves; veja fotos

De ponto de gangues a passeio descolado: veja fotos da Galeria do Rock

Na exposição que chega ao CCSP, o fotógrafo faz ainda uma grande homenagem aos brasileiros. Na série Caminhada Brasileira, Rauzier apresenta os vários personagens anônimos que encontrou ao longo de suas andanças pelas quatro capitais do País. Em um vídeo, essas figuras são retratadas em tamanho real, permitindo aos visitantes da mostra o reconhecimento da identidade de seu povo.

Sobre o fotógrafo Jean-François Rauzier

Nascido em Sainte-Adresse, na França, Jean-François Rauzier começou a fotografar aos 23 anos de idade. Trabalhou como pintor e escultor ao longo de três décadas. Criou em 2002 a técnica da Hiperfotografia, sob a qual já registrou detalhes de espaços como bibliotecas, castelos e igrejas de 15 cidades do mundo, entre Paris, Barcelona, Istambul, Nova York e Veneza.

O fotógrafo foi vencedor do prêmio Arcimboldo, em 2008, e o prêmio APPPF em 2009. Sua obra já foi exibida em instituições como a Fundação Annenberg de Los Angeles; o Palácio das Belas-Artes, de Lille; e MOMA de Moscou. Tem trabalhos de sua autoria em importantes coleções de arte contemporânea, entre as quais a Louis Vuitton e do Instituto Cultural B. Magrez.

Serviço:

Hiperfoto – Brasil, individual de Jean-François Rauzier
Local: Centro Cultural São Paulo
Endereço: Rua Vergueiro, 1000
Até 6 de maio de 2018
Visitação: Terça a sexta, das 10h às 20h | Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h
Telefone: (11) 3397 4002