O design que ninguém vê: galerias e pisos do Centro de São Paulo viram percurso na DW!15
Alguns dos desenhos mais interessantes da cidade não estão nas vitrines, mas nos caminhos que atravessamos todos os dias
Wans Spiess
No centro de São Paulo, às vezes a gente entra por uma rua e sai por outra e parece que estamos atravessando a cidade por dentro.
Uma galeria. Um corredor. Uma passagem que corta a quadra e nos devolve à cidade alguns metros adiante. No percurso, uma vitrine curiosa, um café escondido, um encontro inesperado com um mural assinado por Portinari. Esses múltiplos e discretos caminhos formam uma rede silenciosa de circulação onde arquitetura, comércio, encontros e pequenos detalhes de design compõem a paisagem cotidiana da cidade.
Talvez por isso as galerias do centro sejam tão fascinantes. Elas recortam a cidade pelo interior, conectando lugares inesperados e criando percursos onde o olhar e o passo se movem de outro jeito. No tempo do caminhante.
Esse tipo de observação inspira a vivência que oferecemos durante a DW! Semana de Design de São Paulo, que chega à sua 15ª edição propondo refletir sobre legado criativo: aquilo que permanece, se transforma e continua desenhando a cidade ao longo do tempo.
Durante o festival, novas atividades estão nas vitrines, nos objetos e nas exposições. Mas toda uma estrutura urbana de décadas anteriores está espalhada pelo próprio centro desde sempre: nas galerias, nas passagens e nos pisos que atravessamos todos os dias.
Vale lembrar que a cidade talvez seja o maior projeto de design coletivo que existe. Cada escolha — do desenho de uma calçada ao padrão de um piso — influencia o modo como nos movemos, onde paramos e como nos encontramos. Arrisco afirmar que o design mais importante da cidade está nas passagens e no chão que sustenta nossos caminhos.
Com esse olhar, eu, Wans Spiess, e a historiadora e pesquisadora urbana Paula Janovitch conduzimos a caminhada Galerias, Pisos e Afetos, na programação da DW!15.
O percurso começa na Galeria Metrópole, marco da arquitetura modernista do centro, cujo pátio interno cria um respiro inesperado em meio à densidade da cidade. A partir dali atravessamos algumas das galerias históricas da região da República e observamos também alguns dos pisos mais emblemáticos do centro de São Paulo — elementos de design urbano que fazem parte da paisagem cotidiana da cidade, mas raramente recebem atenção.
Galerias, Pisos e Afetos
Histórias escondidas sob os pisos e entre as galerias do centro de São Paulo. Um percurso que une arte, arquitetura, memória e afeto — um novo olhar sobre passagens e elementos urbanos que passam despercebidos no dia a dia.
Condução: Paula Janovitch e Wans Spiess
14 de março (sábado)
10h às 13h
Ponto de encontro
Galeria Metrópole
Praça Dom José Gaspar, 76 — República
(em frente à Casa do Pão de Queijo)
O percurso atravessa 14 galerias comerciais da região da República, formando um circuito quase contínuo de passagens urbanas e revelando alguns dos pisos mais emblemáticos da área central.
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