A Biblioteca Mário de Andrade recebe, de 12 de setembro a 12 de outubro, a exposição Jazz - o livro de artista de Henri Matisse, com produção e concepção do MAB e da Biblioteca e correalização da FAAP e da Prefeitura de São Paulo. A abertura acontece no dia 12 de setembro, às 15h, e marca um momento especialmente significativo: o reencontro do público com obras de Henri Matisse recentemente recuperadas.
A exposição representa, assim, não apenas uma oportunidade de conhecer uma das criações mais importantes da trajetória de Matisse, mas também uma celebração da preservação do patrimônio cultural e da devolução dessas obras à população. Oito trabalhos do artista que haviam sido subtraídos foram recuperados e agora voltam a estar acessíveis ao público, em um espaço dedicado à preservação, à pesquisa e à democratização do acesso à cultura. As 20 obras que compõem a coleção estarão em exposição.
Jazz é um dos trabalhos mais marcantes da produção de Henri Matisse (1869–1954). Publicado em 1947 pelas edições Verve, o livro de artista teve uma tiragem de 250 exemplares numerados e reúne 20 composições desenvolvidas pelo artista a partir de uma técnica que combinava recortes de papéis previamente pintados com guache, formando colagens de cores intensas e formas vibrantes.
O processo criativo de Jazz teve início em um período de grandes limitações físicas para Matisse. Após uma grave intervenção cirúrgica, o artista passou longos períodos em repouso e encontrou nos recortes de papel uma nova possibilidade de expressão. Ao longo de aproximadamente dois anos, experimentou formas e cores até chegar às composições que integrariam o livro.
Matisse chamou esse processo de “desenhar com a tesoura”. A técnica permitiu ao artista explorar de maneira inovadora a relação entre cor, forma, movimento e composição, levando a colagem a um novo patamar dentro de sua produção artística.
O título Jazz também traduz a concepção de Matisse sobre aquelas imagens. Para o artista, a combinação entre as cores deveria produzir uma relação dinâmica, assim como ocorre na música. Em suas reflexões sobre o trabalho, Matisse destacou que não bastava simplesmente colocar cores umas ao lado das outras: era necessário que elas atuassem umas sobre as outras.
“Artista comumente identificado como fundamental na arte moderna, Matisse dispensa qualquer tentativa de apresentá-lo apenas como um pintor de sua época. De início, é preciso ressaltar sua atuação com o desenho, as artes gráficas, a colagem, a escultura, a cenografia e mesmo nas relações com a arquitetura, mas é sobretudo na gravura que essa capacidade magistral de lidar com a cor e a linha se afirma, de maneira incontestável. Assim, é aqui que Jazz se apresenta como um livro de artista/álbum de gravuras dos mais relevantes e significativos do século XX. Neste sentido, nada mais coerente que o MAB FAAP se associe a essa iniciativa de retomar a possibilidade de o público ter contato direto com as imagens, mas também com os textos que o artista escreveu diretamente a partir de seus cadernos de anotações (produzidos entre 1941 e 1946), celebrando, neste momento, seus 80 anos de existência”, destaca o curador da exposição e diretor-geral do MAB FAAP, Marcos Moraes.
Um livro de artista que marcou a história da arte
A publicação de Jazz contou com a parceria do editor Tériade, um dos mais importantes editores de arte do século XX. O projeto buscou preservar, na impressão, a intensidade das cores e a força visual das composições originais de Matisse.
O resultado foi uma obra que articula imagem e texto e que se tornou uma das produções mais conhecidas do artista. As 20 composições revelam a maturidade de sua pesquisa com recortes e demonstram como Matisse transformou uma condição de adversidade em uma nova possibilidade de criação.
SERVIÇO
Jazz - o livro de artista de Henri Matisse
Período: 12 de setembro a 12 de outubro
Abertura: 12 de setembro, às 15h
Local: Biblioteca Mário de Andrade
Entrada: gratuita
