Terça-feira, 8 de setembro de 2026
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Como a Galeria do Rock deu a volta por cima e se reinventou na era da economia criativa

Síndico que liderou a transformação da Galeria do Rock, Toninho conta como o espaço, depois de viver a decadência nos anos 1970 e 1980, com baixa frequência e a convivência com o tráfico de drogas, se transformou num vibrante polo de cultura jovem. Confira a entrevista.

Como a Galeria do Rock deu a volta por cima e se reinventou na era da economia criativa

Por Clayton Melo

Ainda me lembro como se fosse hoje. Estudava no Martins Pena, escola estadual que fica na Cidade Ademar, bairro da periferia da zona sul de São Paulo. As aulas eram de manhã, e pelo menos uma vez por semana – às vezes mais – eu tinha um compromisso no período da tarde: ir à Galeria do Rock.

Era demais! Como eu gostava daquilo… Pegava o ônibus e, mais ou menos uma hora depois, descia no ponto final, no Largo São Francisco. De lá ia andando até a rua 24 de Maio, onde fica uma das entradas da galeria. É por isso que durante um bom tempo muita gente chamava o local de “Galeria 24 de Maio”.

Como nunca tive mesada e era um durango total, o máximo que conseguia levar no bolso eram alguns cruzados – depois reais – que minha mãe me dava para comprar um lanche, mas que eu trocava por um vinil usado ou fita cassete com gravação pirata. Eu disse levar no bolso? Coisa nenhuma. Eu colocava era na meia. Mais protegido, né? Ia dar mole para batedor de carteira? O centrão, naquela época, vivia uma de suas piores fases, talvez o ápice da decadência e abandono. Era um ambiente hostil.

Quer ver como a Galeria está hoje? Veja aqui uma galeria de fotos. 

Essa talvez fosse uma das explicações para haver poucas mulheres nos corredores da Galeria. Famílias? Nem pensar.  A Galeria era o point de cabeludos que usavam calça rasgada e tinham tatuagem quando isso era coisa de marginal. Ou da galera do hip hop, no subsolo, com figurinos, cabelos e estilo que também não eram bem vistos na época.

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O centro e a Galeria do Rock nos anos 1990  

Chegando à Galeria, eu subia a escala rolante e ia direto para os andares das lojas de rock – eu vivia na Baratos Afins e na Aqualung, entre outras. Detalhe: não me lembro de, naquela época, ver alguma escada rolante funcionando. Elas tinham quebraram em algum momento e assim ficaram.

Estamos falando do final dos anos 1980 e início dos 1990, época em que a Galeria fazia a cabeça de quem curtia rap ou rock, mas que não era o que se poderia chamar de um “lugar família” ou preocupado em atender aos “consumidores”.

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