Qualquer pessoa que tenha passado pela Avenida Paulista já se deparou com esse lindo (e, infelizmente, bastante depredado) casarão que fica no número 1919. Como qualquer imóvel antigo, em meio a construções modernas e grandiosas, o palacete provoca muita curiosidade e não é raro ver alguém erguendo os pés ou tentando capturar fotos entre as frestas dos portões. É impossível não querer entrar ali para saber como é cada espaço da casa, já que foi erguida em 1905. Muita gente conta que o casarão é mal-assombrado, como qualquer imóvel antigo e abandonado, mas tudo não passa de lenda.

A residência foi construída pelo português Antônio Fernandes Pinto para ser moradia da família do agricultor e coronel Joaquim Franco de Mello e foi uma das primeiras a surgirem na avenida entre 1891 e 1937, período em que muitos barões de café e empresários paulistanos decidiram fincar residência em suas gigantes casas na nova e luxuosa avenida. Felizmente, a residência é uma das únicas dessa época que sobrevivem.

Apenas pela fachada fica difícil saber como a casa é por dentro, mas sabe-se que tem 4.720m² entre cômodos e espaços externos, que inclui uma área verde imensa. Na frente da casa ficavam a sala de visitas e o escritório, no centro a sala de jantar e os quartos. Nos fundos, a cozinha, despensa e os banheiros. No subsolo havia uma biblioteca e um depósito, além de um porão e um jardim lateral, que era feito para os lados justamente para aumentar a distância entre as casas vizinhas.

Tombado pelo patrimônio histórico em 1992, ficou totalmente abandonado, sofrendo depredações e pichações até 2010, quando o neto de Joaquim, Renato, decidiu morar no palacete e foi o último a residir lá. Ele usava apenas um dos quartos e a cozinha, já que o espaço era gigante. Na época, Renato contou à Revista Piauí que foi morar lá com medo de invasão dos sem-teto da cidade. Foram realizados alguns eventos públicos de arte e feiras de adoção de animais na área externa, mas acabaram porque Renato faleceu em fevereiro de 2019.

A boa notícia é que, em junho de 2019, depois de 27 anos de empasses na justiça, o palacete passou da mão dos herdeiros do coronel para o governo estadual. Com isso, a Secretaria Estadual da Cultura assume a propriedade e pretende criar um espaço cultural, mais precisamente um museu ligado a assuntos e atrações científicas. Por enquanto, o imóvel permanece fechado até o início das obras.

Enquanto não podemos visitar o centro cultural, ficamos só por conta das especulações quando passamos em frente ao lindo palacete. Quem tem a imaginação mais aguçada, já consegue até ouvir uma música clássica de fundo, ver homens de gravata borboleta e mulheres com longos vestidos andando pelos cômodos. E que bom que a modernidade, nesse caso, não conseguiu derrotar a história.

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