Terça-feira, 3 de novembro de 2026
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Cultura Artística retoma construção do novo teatro, que terá café e livraria

Em entrevista ao A Vida no Centro, superintendente do Cultura Artística diz que novo teatro não terá apenas música clássica, mas também para jazz, música popular, eletrônica e espetáculos para a família.

Cultura Artística retoma construção do novo teatro, que terá café e livraria

Saiba como está a construção do novo teatro do Cultura Artística

Por Denize Bacoccina

O Teatro Cultura Artística, na Rua Nestor Pestana, que foi destruído por um incêndio em 2008, já tem data para reinauguração: as obras foram retomadas e tudo deve ficar pronto em agosto de 2024.

Inaugurado em 1950, o teatro foi atingido por um grande incêndio em 2008. As duas salas de espetáculo foram destruídas, mas foram salvos das chamas a fachada com o mural de Di Cavalcanti e os foyers do térreo e do primeiro andar, além de arquivos históricos.

Os concertos promovidos pela Sociedade Cultura Artísticas, uma entidade privada de fomento à cultura, continuaram a ser realizados em outros espaços da cidade, como a Sala São Paulo. Até que, dez anos depois, conseguiu recursos para reconstruir o espaço, projetado pelo famoso arquiteto Rino Levi. O mural de Di Cavalcanti, o maior deste tipo produzido pelo artista, com 48 metros de comprimento e 8 metros de altura, já tinha sido restaurado em 2012 e, apesar de coberto com tela, pode ser visto da rua.

Primeira parte da reforma

Entre 2018 e 2019, foi realizada a primeira parte da obra, a construção de um edifício de quatro andares (leia aqui). A segunda parte da obra deveria ter começado no ano seguinte, mas a pandemia atrasou o projeto. Está iniciando agora e deve durar um ano. A partir daí vem a terceira fase, dos acabamentos, que ainda depende da captação de mais recursos.

O custo total do novo teatro é de R$ 130 milhões. Recursos privados, conseguidos em doações do público, com uso de lei de incentivos fiscais. A primeira parte da obra custou R$ 50 milhões. Esta segunda fase, que prevê o restante da construção civil, as instalações e o ar condicionado, custará outros R$ 50 milhões, recursos já existentes. A campanha final, já no ar (e que pode ser acessada neste link), vai arrecadar outros R$ 30 milhões para a parte final do projeto: instalação das portas de madeira, poltronas e mobiliário de um modo geral.

Frederico Lohmann, superintendente do Cultura Artística, está animado com a campanha, que teve mais de 700 doadores, que contribuíram com valores entre R$ 50 e R$ 14 milhões (do BNDES). “É comovente ver como as pessoas têm um carinho enorme pelo que o Cultura Artística representa e pelo que vai representar”, disse ele em entrevista ao portal A Vida no Centro.

Cultura Artística retoma construção do novo teatro, que terá café e livraria
Imagem externa do teatro, após a reforma

Como será o novo Cultura Artística?

A ideia, diz Frederico, é que o novo teatro seja um espaço aberto à música de qualidade, não apenas música clássica. Há espaço também para jazz, música popular, música eletrônica, espetáculos para a família (onde se pode levar crianças), além de atividades educativas.

“Meu sonho é que uma parte dos nossos assinantes tenha interesse em música eletrônica e que o público de música eletrônica tenha interesse nos concertos. Juntar os dois”, diz Frederico.

Em seus quase 60 anos de história na Nestor Pestana, além dos concertos de música clássica, o espaço também recebia peças de teatro e durante um período foi arrendado para a TV Excelsior, que fez ali seus programas de auditório e alguns festivais de música, nos anos 1960.

As novas salas – uma de 750 lugares e outras de 150 – serão dedicadas apenas à música. O Cultura Artística entendeu que já existem muitas salas de teatro na cidade, mas havia a necessidade de um espaço para música de câmara com acústica e equipamentos de excelência. O espaço já está com a estrutura pronta para receber o mobiliário, que virá na terceira fase da obra.

Estágio atual da obra da sala grande, com 750 lugares
Estágio atual da obra da sala grande, com 750 lugares
Cultura Artística retoma construção do novo teatro, que terá café e livraria
Imagem da sala maior, com a obra de Sandra Cinto nas paredes

Uma obra da artista plástica Sandra Cinto, em amarelo, para resgatar a cor originalmente escolhida por Rino Levi, reveste toda a sala. A artista concebeu linhas e curvas que dão movimento à obra e ao mesmo tempo atendem às necessidades técnicas de reflexão do som.

A outra sala, de 150 lugares, será usada para atrações com público menor e atividades educativas. O novo Cultura Artística terá ainda 11 salas de estudo e uma escola de música que também vai oferecer cursos abertos à toda a comunidade.

Espaço restaurado

O primeiro espaço a ser recuperado, depois do incêndio, foi a obra Alegoria das Artes, de Di Cavalcanti, que ocupa toda a fachada do teatro. A restauração demorou 18 meses, consumiu 1,2 milhão de pastilhas de vidro e recebeu um prêmio do Iphan de melhor obra de restauro de 2012.

Outras áreas que resistiram ao incêndio, como a fachada, os foyers históricos do térreo e do primeiro andar, duas escadas e as bilheterias também serão restaurados, com a recuperação dos detalhes originais. Os espaços também vão receber uma parte do mobiliário concebido por Rino Levi e pelo Studio D´ Arte Palma, de Lina Bo Bardi e Giancarlo Palanti, além do mobiliário moderno e a comunicação visual idealizados por Luciana Martins e Gerson de Oliveiro, da Ovo.

Diálogo com a região

Duas lojas do projeto original serão reabertas, um café e uma livraria, o que vai manter o prédio aberto durante todo o dia e contribuir para um diálogo maior com a rua e o entorno.

Cultura Artística retoma construção do novo teatro, que terá café e livraria
Imagem da entrada do teatro

“Queremos que o teatro faça parte da vida dos moradores do centro”, diz Frederico, que tem escritório em frente ao teatro e vem acompanhando os novos investimentos na região, especialmente de cultura e gastronomia. “Acho que este nosso pedaço da República e Consolação está se tornando um dos lugares mais interessantes da cidade”, afirma.

O Cultura Artística também está conversando com outros equipamentos culturais da região, como o Museu Judaico e o Parque Augusta, para fazer projetos em conjunto. “Tenho esperança que as coisas melhorem e que o teatro vai contribuir para manter o quarteirão vivo e com movimento em todos os horários.”

História

Fundada em 1912, a Sociedade de Cultura Artística é uma instituição privada, sem fins lucrativos, mantida por doações de pessoas físicas, patrocínio de empresas e contribuições dos sócios assinantes, além da venda de ingressos para as apresentações.

Cultura Artística retoma construção do novo teatro, que terá café e livraria
Imagem do foyer no primeiro andar do teatro

O primeiro endereço da entidade foi o Conservatório Musical, na Avenida São João. Anos depois, o grupo comprou o terreno atual, numa rua que ainda se chamava Florisbela e foi batizada com o nome atual em homenagem ao então primeiro-secretário da Sociedade, Nestor Pestana, jornalista e diretor do jornal O Estado de S. Paulo.

A inauguração, em 1950, teve concertos dos compositores Camargo Guarnieri e Heitor Villa-Lobos, regendo suas próprias obras.

Nos anos 1960 a Sociedade, com problemas financeiros, arrendou o teatro para a TV Excelsior, que demorou uma década para entregá-lo de volta, após ação de despejo, e com necessidade de reforma.

Nas décadas seguintes, formou-se um polo de teatro em volta do Cultura Artística, hoje bem consolidado na Praça Roosevelt e no Baixo Augusta. A Praça tem a SP Escola de Teatro e a Escola do Ator, o teatro da cia Os Satyros, os Parlapatões e o Cine Bijou, reaberto pelos Satyros neste ano. Tem ainda v´ários bares, que resgatam a atmosfera boêmia que sempre marcou a região.

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