Terça-feira, 8 de setembro de 2026
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Facundo Guerra, do Grupo Vegas: “A retomada do centro é a retomada da identidade do paulistano”

Para um dos principais empresários da noite de São Paulo, jovens não estão mais interessados na posse, mas sim no acesso e na convivência, o que tem transformado a relação com os espaços urbanos.

Facundo Guerra, do Grupo Vegas: “A retomada do centro é a retomada da identidade do paulistano”

Por Clayton Melo

Texto e foto

Sentado em uma das mesas do café do Mirante 9 de Julho, o empresário Facundo Guerra está concentrado. Sócio do Grupo Vegas, companhia que mantém várias casas noturnas na capital, quase todas no centro de São Paulo, ele está com fones de ouvido e trabalha em seu notebook sem se preocupar com o ambiente à sua volta.

Há um bom movimento no mirante, com gente em diferentes mesas ou em pé, conversando despreocupadamente.  Perto do computador, o capacete (ele é colecionador de motos) e uma garrafinha térmica de chá – a mochila fica no chão.

Quando me aproximo, Facundo para o que está fazendo e começamos a conversar. Pergunto se é comum ele usar o Mirante 9 de Julho – um local abandonado na região central que ele transformou em espaço multicultural com música, artes, café, bar e restaurante – como um escritório móvel. “Trabalho de qualquer lugar. Não moro muito longe daqui, mas estou sempre indo de um lugar para o outro”, diz , referindo-se a suas outras empresas ou a reuniões. “É só conectar o computador e pronto”.

Nova identidade paulistana

Essa atmosfera aconchegante do Mirante 9 de Julho, que serve tanto para trabalhar, tomar um café, um drinque ou apenas passar o tempo com os amigos, revela um pouco de como Facundo Guerra vê a relação das pessoas com o espaço urbano e, de modo particular, com o centro de São Paulo.

Para ele, depois de décadas de valorização de coisas como carro, luxo e vida em condomínios fechados, os paulistanos buscam uma nova identidade, o que leva a uma relação diferente com a cidade e que se conecta com o centro de São Paulo.

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“Formaram-se gerações de paulistanos que tinham uma identidade de bairro, não de cidade. Acho que agora, especialmente a partir da década de 2010, está havendo a emergência de uma identidade de paulistano, que vaza do próprio bairro e se liga pelo centro”, diz Facundo nesta entrevista exclusiva ao projeto A Vida no Centro. “Então, para mim, a retomada do centro é a retomada de uma identidade do paulistano, algo que passa pelo centro, pela Paulista aberta, pelo Parque Minhocão, Parque Augusta e Largo da Batata”.

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