Milhares de pessoas passam diariamente pelo Largo da Memória, no centro de São Paulo, sem saber que seu obelisco é o monumento mais antigo da cidade e que o local preserva um pedaço importante da história da capital.
A cidade era vista, no começo do século 19, como um local de passagem. Foi quando o governo determinou a construção de uma nova estrada para facilitar a comunicação do interior paulista com a cidade. O responsável pelo projeto foi o engenheiro Daniel Pedro Müller, que além da estrada, também propôs a formação de um largo que surgiria através do alargamento das ladeiras dos Piques e da Palha, e a construção de um chafariz, tudo isso complementado por um obelisco “à memória do zelo do bem público”, como dizia o projeto na época.
Erguido em pedra de cantaria pelo conceituado mestre pedreiro Vicente Gomes Pereira (Mestre Vicentinho), o obelisco surgia de uma bacia de alvenaria com grades de ferro que servia como um reservatório para a água que vinha do Tanque Reúno, atual Praça da Bandeira, formado pelo represamento do Córrego Saracura.
Ladeira da Memória como ficou conhecida, era o ponto em que os tropeiros que seguiam rumo a Santo Amaro ou sentido Pinheiros paravam seus cavalos para descansar.
O local também foi espaço de feira de pessoas escravizadas e geralmente havia leilões com compra e venda. Depois da abolição, seguiu sendo um ponto de encontro, de convívio e de organização da população negra em São Paulo.
Com o tempo uma série de mudanças ocorreram na cidade e deixaram o Largo da Memória meio esquecido. Se antes era passagem obrigatória, agora poucos andam ali.
Veja no vídeo as curiosidades sobre o Largo da Memória que estão presentes até hoje!
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