Brenno Rossi, Bruno Blois, Casa Manon, Museu do Disco. Para quem curte música da invenção do CD pra cá, essas lojas de discos do Centro de São Paulo fazem companhia a gírias esquecidas como boco-moco, prafrentex e lhufas. As três primeiras na 24 de Maio e a última, numa lateral do Theatro Municipal. Até o começo dos anos 80, os ouvintes prafrentex compravam seus discos nelas. Só quem não soubesse lhufas de música ou fosse muito boco-moco conseguia resistir aos seus encantos.
Sou nascido e criado em Mauá, cidade da grande São Paulo que, durante a minha infância e adolescência, tinha apenas uma loja de discos. Era o local em que os mauaenses encontravam as trilhas de novela, o LP anual do Roberto Carlos, os “’S” de Ray Conniff, os compactos de música “lenta” para animar bailinhos e, com uma boa dose de sorte, alguma bolacha de artistas que conseguiam driblar a ditadura militar.
O primeiro LP dos Secos & Molhados
Lembro-me do dia de 1973 em que minha irmã mais velha entrou em casa com uma cópia do primeiro LP dos Secos & Molhados, a banda que revelou Ney Matogrosso e que responde pelo disco que mais ouvi na vida. Mantenho esse álbum na minha coleção até hoje. A falta de zelo dos meus familiares e uma vitrolinha cor de rosa fizeram com que as faixas “O Vira” e “Rosa de Hiroshima” ficassem irremediavelmente riscadas. Por isso, ao longo do tempo, adquiri outras três cópias, arrematadas em sebos e feiras.



