De 19 de outubro a 08 de dezembro de 2026, o Teatro Oficina recebe a estreia paulistana de “O Ovo e a Galinha”, espetáculo dirigido por Joana Medeiros, com Ana Hartmann em cena, a partir do conto de Clarice Lispector. A montagem, que teve sua origem em 2017 e passou por um longo processo de pesquisa, leituras e ensaios abertos, coloca a escritora em cena diante de seu próprio texto e acompanha o fluxo de pensamentos desencadeado pela visão de um ovo sobre uma mesa. Serão 16 apresentações, às segundas e terças-feiras, às 20h.
No espetáculo, Ana Hartmann interpreta Clarice Lispector no momento em que ela lê “O Ovo e a Galinha”. A partir do texto, a cena se transforma e a escritora passa a experimentar no próprio corpo as ideias, imagens e estados provocados pelo conto. O que começa com um ovo sobre uma mesa conduz a personagem por associações sobre existência, Deus, cotidiano, amor, trabalho e a tentativa de apreender aquilo que escapa à explicação.
Clarice, o ovo e a cena
A dramaturgia mantém o conto de Clarice como seu centro e cria ao redor dele uma situação cênica em que a palavra é atravessada por imagens, sons, objetos, luz e vídeo. Ana é a única atriz em cena, mas atua em diálogo permanente com uma equipe técnica que participa da ação. Luz, som, projeções, figurinos e objetos interferem no percurso da personagem e também são manipulados por ela.
A concepção audiovisual é de Ciça Lucchesi, artista ligada ao Teatro Oficina. As projeções partem de uma pesquisa sobre o ovo, sua geometria e sua presença em diferentes mitologias e culturas. O mar, imagens de Clarice, referências religiosas e outros elementos associados ao universo do conto também integram a construção visual.
Antes mesmo de começar o espetáculo, o público é recebido pelo mar, com imagens e sons de praia. "É para eles já irem entrando num outro estado mesmo, mais meditativo ali, ao mesmo tempo que já chega e já tem alguma coisa acontecendo", conta Ciça Lucchesi.
Na abertura, o vídeo ganha a função de informar, mostrando a participação de Clarice no Congresso de bruxaria. "Isso aparece assim meio no meio de uma fumaça. Então, tem um pouco também esse universo da bruxaria, da magia presente nas imagens, ainda que de forma meio oculta. Então a imagens tem um pouco dessa função de situar, trazer essa informação concreta, mas tem várias outras camadas para viver a presença da Clarice através dessa projeção".
A cena reúne ainda elementos como vidro, espelho, fumaça e objetos cotidianos. Uma mala associada à Clarice, uma folha em branco e grandes objetos de limpeza fazem parte desse universo, em que ações corriqueiras passam a adquirir outra dimensão. A montagem também trabalha com o contraste entre o preto e o branco do ovo e com diferentes possibilidades de luz e sombra.
Para Joana Medeiros, o espaço é parte importante da dramaturgia. No Teatro Oficina, a arquitetura já estabelece uma relação particular entre cena e público, com diferentes planos e pontos de observação. A montagem incorpora essa característica ao percurso da personagem e à movimentação dos elementos cênicos.
Em “O Ovo e a Galinha”, sua atuação parte da presença de Clarice e acompanha as transformações provocadas pelo próprio texto. A escritora, o ovo, a galinha, os objetos e a máquina teatral passam a integrar uma mesma situação, em que pensamento e ação se encontram no espaço da cena.
Serviço
“O OVO E A GALINHA”
Temporada: 19 de outubro a 8 de dezembro de 2026
Horário: Segundas e terças, às 20h
Local: Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona
Endereço: Rua Jaceguai, 520 — Bixiga, São Paulo/SP
Ingressos: R$ 50 (meia-entrada) / R$ 100 (inteira)
Link de compra: https://bileto.sympla.com.br/event/127675
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 60 minutos
Siga no Instagram: @ovoeagalinha