
Por Ariane Cordeiro
Tradicional bairro italiano de São Paulo, a Mooca vive um novo momento, com a transformação dos antigos galpões do início da industrialização em novos bares, restaurantes e novos estabelecimentos, resgatando a tradição cultural da região.
Fundada em 1556, a Mooca é um dos bairros mais antigos de São Paulo. O nome vem do tupi, mũoka, que significa “casa de parente”. E é exatamente esse sentimento, tão peculiar, que o bairro mantém até hoje.
O bairro cresceu no início do século 20, graças à acelerada industrialização da capital, que tinha ali uma grande concentração de fábricas. Também ali se estabeleceram em massa os imigrantes italianos, que misturados aos portugueses e holandeses criaram uma culinária rica, que vem sendo resgatada e revalorizada. A cada esquina um boteco ou restaurante cheios de conversas, histórias, clássicos e surpresas.
O que fazer na Mooca
Considerada uma zona antes “desabitada”, a “Mooca-Baixa” está localizada a 2 km do Parque Dom Pedro. As indústrias, desativadas no século passado, hoje servem de abrigo a uma nova cena gastronômica pautada na qualidade e cultura, herdadas dos clássicos.
Um dos responsáveis por essa transformação é José Américo Crippa Filho, o Tatá. Nascido e criado na Mooca, o empresário, após um ano vivendo em Miami (nos EUA) voltou para o Brasil com uma inspiração: o bairro de Wynwood. Ele ficou admirado como, em poucos anos, o bairro se tornou referência mundial na cena cultural. “Os empreendedores locais mudaram aquele lugar. Hoje é um dos mais descolados e artísticos do mundo”, conta.

Foi assim que Tatá, que já buscava por um imóvel para empreender, passou a olhar com carinho o bairro natal. O primeiro empreendimento na região, um estúdio de tatuagem, veio em 2015. Na sequência, ele abriu o Cadillac BBQ: um restaurante com a pegada texana.
Depois disso, Tatá começou um movimento pró “Mooca-Baixa” que culminou na fundação da associação “Distrito Mooca”. A proposta é um convite a comerciantes, turistas e moradores para conhecerem a região, estimulando assim a economia criativa e empreendimentos locais. “A arte está em descobrir novos caminhos e novos lugares. São Paulo é muito grande para se resumir em dois ou três bairros. É hora de expandir o conhecimento e o pensamento comercial”, afirma.

De 2015 para cá, a região ganhou novos estabelecimentos, como o restaurante Hospedaria e A Pizza da Mooca, ambos do empresário e chef Fellipe Zanuto. O jovem comanda ainda o novo café do Museu da Imigração, nas proximidades, o Cantina. Há ainda um espaço de coworking e um hostel, da empreendedora e designer Patrícia Valera. Ela e seus dois sócios abriram recentemente, também, o BTNK: um bar instalado em um imóvel da década de 1920 (indicado nesta matéria). O movimento vem ganhando força e novos adeptos: em breve Cristiane Seixas, também empresária do ramo, trará o seu Boutique Vintage Brechó Bar para a região, com inauguração prevista para março.




