A série de ilustrações “Tipos Paulistanos” traz de forma sutil, mas precisa, personagens que cruzamos todos os dias nas ruas da cidade de São Paulo, seja no centro ou em seus bairros mais populares. Figuras anônimas, algumas excêntricas, outras nem tanto, que coexistem numa realidade repleta de divergências sociais, mas que compõem o caótico cenário paulistano em suas nuances entre o belo e o encantador, o feio e o sujo.
Estas ilustrações nasceram durante um trabalho para o TCC da faculdade, e iriam compor um livro com fotografias e versos sobre a cidade. Essa aplicação foi descartada, pois tantos elementos gráficos poderiam causar um ruído na composição do trabalho final.
Desenhar estas personagens, cada qual com sua personalidade expressas em linhas soltas nas cores preta e vermelha num fundo branco (referência à bandeira de São Paulo) foi tão divertido e agradável quanto sair pelas ruas fotografando e escrevendo poemas sobre a cidade. São retratos caricatos e que trazem a humanidade das pessoas que fazem parte do nosso dia a dia, repletas de histórias, e que às vezes sequer notamos, absorvidos pela rotina.
Eu gosto muito deles, pois surgiram num momento em que eu estava inteiramente inspirado com o projeto. Eu os desenhei diretamente no computador, com auxílio de uma tablet e um software de desenho vetorial, sem um rascunho prévio em papel, diferente de como eu faço com a maioria das ilustrações que produzo.
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O resultado desta inspiração é esta série de desenhos com estes sujeitos que figuram em todos os cantos da nossa metrópole, abordando a sociedade paulistana de forma cômica, mas que também nos alerta sobre os seus contrastes.
*Viny Alves, ilustrador e designer gráfico. Paulistano da gema, 36 anos, atua como editor e ilustrador de livros didáticos e freelancer na pré- produção de animações, onde o cartoon é sua maior paixão. Mora em Mirandópolis, pacato bairro da Zona Sul, mas ama a caótica vida noturna de SP.
Av. Paulista
A principal avenida e centro ecônomico da cidade é representada pelo executivo em alta velocidade, em tradução à expressão: “Tempo é dinheiro!”
“Augusta”
Esta cômica referência ao quadro “O grito” de Edvard Munch retrata o universo chocante das tribos que circulam pela noite da Rua Augusta , com seus visuais despojados e excessos
“Cracolândia”
A entorpecência da Cracolândia é expressa nesta virtuose que hipnotiza, prende e traga, chamando a atenção para um dos maiores problemas da nossa cidade
“Consolação (Rua Frei Caneca)”
O “bofe” bem alinhado e elegante, representa o público gay ,muito presente na região, principalmente nas imediações da Rua Frei Caneca.
“Criança passeando”
Uma cena corriqueira representando as crianças que estão descobrindo o mundo à sua volta e a sabotagem de alguns pais que estão sempre preocupados com seus compromissos adultos
“Higienópolis (Parque Buenos Aires)”
O Parque Buenos Aires e sua matilha de cães de raça é a inspiração para esta imagem que aborda a triste vida de cães de rua
“Jardins (Oscar Freire)”
Aqui há o glamour e a sofisticação que você pode adquirir nas inúmeras lojas que formam o complexo comercial da Oscar Freire. A personagem é uma efígie do consumismo desenfreado e do capitalismo que move o nicho dos mais endinheirados de São Paulo
“Liberdade”
O bairro da Liberdade é o ponto de encontro com a cultura japonesa, onde há uma nova concentração de tribos formadas por otakus, fãs de anime e mangá
“Pinheiros”
A figura do ciclista representa o paulistano que disse adeus ao sedentarismo e busca a qualidade de vida através de exercícios físicos
“Planalto Paulista (Avenida Indianópólis)”
A prostituição em uma das principais vias da zona Sul é retratada nesta imagem, um convite ao prazer por uma figura anônima, onde desconhecemos qual é a sua verdadeira natureza
“Roosevelt”
O skatista é o ícone urbano que representa a liberdade da juventude através de suas manobras radicais
“Sé”
A figura espalhafatosa e simpática, é sim um morador de rua. E precisa de seus cuidados
“São Miguel Paulista”
Não podia esquecer do povo nordestino que faz parte da história desta cidade, que ajudou a construir e povoar esta metrópole. Uma singela homenagem à minha família que veio de lá pára fazer história aqui
“Semáforos”
A infância perdida nos faróis da cidade por alguns trocados
“Vila Mariana”
Esta imagem homenageia a calmaria das ruas da Vila Mariana, bairro onde o artista mora, muito arborizada e repleta de pássaros