Terça-feira, 8 de setembro de 2026
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Um convite para dançar no Copan

Como uma das obras mais marcantes e conhecidas de Niemeyer reajustou a sintonia do DJ Franco com a música brasileira feita para sacolejar.

Um convite para dançar no Copan

Nossa memória é generosa com tragédias. Quase todo mundo lembra o que estava fazendo no 11 de Setembro, na manhã da morte do Ayrton Senna ou durante as tretas do Gilmar e do Barroso no Supremo. Tento superar internamente isso, mantendo no meu HD emocional um espaço de vários gigas para as datas, horários e lugares em que um novo amor surgiu.

Um deles nasceu na noite de 25 de janeiro de 2004, no Copan! Mais exatamente no mezanino do restaurante Sapori di Rose (hoje rebatizado de Varanda). A convocação esclarecia que aconteceria ali uma festa chamada SamBaCana Groove, animada apenas por música pra dançar brasileira. O texto do convite era delicioso, saído do coração e da mente do colega de Folha de S.Paulo e irmão para a vida inteira, Israel do Vale, o idealizador da festança.

Confesso que, apesar do apelo irresistível da convocação, tomei banho, passei perfume e me dirigi ao Copan movido mais pelo espírito de solidariedade. Israel foi pauteiro da Ilustrada numa época em que eu era editor do extinto TV Folha. Juntos, enfrentamos o chefe mais despótico, alucinado e inconsistente com que cruzei em mais de 30 anos de carreira. O cara continua no jornal até hoje, mas, felizmente, não chefia mais equipes. Solitário e sorumbático, segue vagando pela redação, levemente vergado pelos traumas que carrega.

Dançar no Copan

Com o fígado devidamente desopilado, voltemos à festa. Na minha cabeça colonizada de blueseiro, discothéqueiro e roqueiro, aquilo tinha poucas chances de dar certo. Afinal, como juntar muitas pessoas interessadas em dançar uma noite inteira apenas ouvindo letras em português?

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