Terça-feira, 8 de setembro de 2026
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Denize Bacoccina

Cercar a Praça Princesa Isabel é a solução?

Contra a violência, o abandono e o fluxo do crack, resposta da Prefeitura é cercar a Praça Princesa Isabel.

Cercar a Praça Princesa Isabel é a solução?

No dia 11 de maio, uma operação policial retirou, com bastante violência, usuários de drogas que haviam se instalado na Praça Princesa Isabel, na esquina entre as avenidas Duque de Caxias e Rio Branco. Nos dias seguintes, enquanto os antigos ocupantes da praça perambulavam pelas ruas da região e o fluxo (comércio de drogas a céu aberto) se mudava para a Rua Helvétia, esquina com a Avenida São João, muitas viaturas guardavam a Praça Princesa Isabel para que eles não voltassem a ocupá-la.

A praça foi protegida. Enquanto as pessoas ficaram abandonadas. Tanto as que viviam na praça, na chamada cracolândia, dependentes químicos que precisam de tratamento, quanto os moradores e comerciantes da região, agora impedidos de trabalhar ou sair de casa.

Para resolver o problema, que é complexo e envolve ações de saúde, assistência social e polícia, para lidar adequadamente com todas as suas facetas, o que fez a Prefeitura? Depois de cercar a praça com grades e mobilizar efetivo policial para proteger o espaço vazio, agora vai transformar o local em parque.

O que exatamente significa isso? O que muda é que um parque pode ser cercado e ter horário de funcionamento, enquanto uma praça precisa ser aberta. Na prática, será possível impedir que pessoas se instalem na praça, como aconteceu entre março e maio deste ano, quando o fluxo se mudou dos arredores da Sala São Paulo, na Luz, para a Praça Princesa Isabel.

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Pra ser precisa, a iniciativa foi de um de um grupo de vereadores, liderados pelo vereador Fábio Riva (PSDB), líder do governo na casa. O projeto tramitou rapidamente na Câmara dos Vereadores, foi aprovado em segundo turno no dia 14 e no dia seguinte já foi sancionado pelo prefeito Ricardo Nunes. Riva justificou o projeto com um abaixo-assinado com 983 assinaturas, segundo ele, de moradores de bairros próximos.

A questão é que as pessoas e os problemas não desaparecem, eles apenas mudam de endereço.

O fechamento da praça fez com que os usuários de drogas passassem a perambular por toda a região dos Campos Elíseos, especialmente em direção a Santa Cecília. Moradores da Rua Helvétia não conseguem mais sair de casas e estabelecimentos comerciais da região estão prestes a fechar as portas.

Este é o caso do restaurante Jaguar, na Avenida Duque de Caxias, quase esquina com a Rua Barão de Limeira. Há três anos e meio, o empresário Fabio Schaberlle abriu o restaurante apostando no processo de melhoria do Centro. Deu certo por um tempo. O movimento era bom no almoço e, antes da pandemia, também abria à noite de quinta a sábado.

Depois da pandemia, ele já notou uma piora da segurança e deixou de abrir à noite. O movimento no almoço era garantido pelos funcionários da Folha de S. Paulo e Uol, a meio quarteirão de distância. Mas, desde o dia 12 de maio, depois que funcionários foram assaltando entrando no táxi em frente ao prédio, as empresas deixaram todas as equipes em home office e Fabio viu o movimento despencar de 30 a 40 pessoas para no máximo 8 por dia.

No fim de semana, os clientes já desistiram. “Já teve cliente que contou que chegou, mas quando viu a região não teve coragem de descer do carro”, conta Fabio, que considera fechar o restaurante. “Ainda tenho esperança que isso mude. Mas não vejo como vai mudar no curto prazo e não sei se vou aguentar”, diz ele.

Na Rua Helvétia, o dono de uma oficina mecânica instalado no local já decidiu fechar as portas, como contou ao Uol.

O espalhamento dos usuários de drogas por todo o Centro, como se vê, não resolveu o problema. Pelo contrário. Um problema que já era de saúde pública continua sendo um problema de saúde, social e agora, também, um grave problema de violência urbana.

Diante disso, a Prefeitura exalta o ganho, para a cidade, de um novo parque. Destaca que equipes de jardinagem trabalham diariamente na praça, que os canteiros estão sendo renovados.

Enquanto isso, operações policiais prendem pequenos traficantes, espalham o terror por toda a região e, em vez de segurança, levam mais violência para os moradores, empresários e trabalhadores do Centro.

No fundo, a questão é: para que serve o espaço público? O que é mais importante, o espaço ou as pessoas? E para que, ou pra quem, serve, afinal, o poder público?

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