Denize Bacoccina
Como você se locomove pela cidade? Se você, como eu, mora no Centro de São Paulo, é grande a chance de que faça a maior parte dos seus deslocamentos a pé, use o transporte coletivo para distâncias um pouco maiores e o carro apenas para viagens para fora da cidade.
Essa impressão, a partir das conversas com amigos e vizinhos, é confirmada pela pesquisa Origem Destino (OD), divulgada esta semana pelo Metrô. Realizada a cada de dez anos desde1967, a edição atual foi antecipada para mostrar as alterações no comportamento após a pandemia e se novos hábitos permaneceram desde então.
A OD 2023 mostra uma queda nas viagens por todos os tipos de transporte em relação à pesquisa anterior, realizada em 2017. Pela primeira vez na série histórica, caiu o volume de viagens. De 42 milhões de deslocamentos em 2017 para 35,6 milhões em 2023, uma queda de 15,1%.
E não é reflexo de uma redução na população, nos empregos ou na renda. Nesse período, a população da região metropolitana cresceu 2%, os empregos aumentaram 11,7% e a frota de automóveis teve alta de 22%. Já as matrículas escolares diminuíram 6,5%.
Aumentou também o índice de imobilidade (pessoas que não fizeram nenhuma viagem no dia útil anterior à pesquisa): de 29% em 2017 para 37% em 2023.
E quais foram os vetores desta mudança? Especialmente a pandemia, que acelerou o trabalho remoto, as compras online, o estudo por meio digital e reduziu as necessidades de deslocamentos pela cidade. O trabalho remoto ou híbrido, que antes da pandemia era praticamente inexistente, hoje responde por 12,7% do total. Entre as matrículas escolares, 91,2% estão no presencial, o que deixa outros 8% para o online.
Claro, ainda é uma minoria, mas ela já provoca mudanças também na dinâmica entre as regiões e ajuda a descentralizar a oferta de empregos.
A população da região metropolitana chegou a 21,2 milhões de habitantes. O número de empregos soma 10,466 milhões de empregos, com alta maior nas regiões Oeste e Norte da região metropolitana em relação à região Centro, onde está a capital. Uma descentralização muito bem-vinda, que reduz a necessidade de grandes deslocamentos para uma parte dos trabalhadores.
Como as pessoas se locomovem no Centro de São Paulo
Nos bairros centrais, como Sé, República, Santa Cecília, Bela Vista, Consolação e Liberdade, as famílias sem carro são a maioria. E o transporte coletivo, especialmente o metrô, é mais utilizado pelos moradores do que os meios individuais. Na média da região metropolitana, as famílias sem automóvel somam 43,9% do total em 2023, uma diminuição de 3,2 pontos percentuais em relação a 2017.
Na Sé, as famílias sem carro são 72%, e na República somam 71%. Na Santa Cecília 53% das famílias não têm carro e a locomoção a pé é a preferida dos moradores.
A locomoção a pé também é elevada em outros bairros centrais, já que a região oferece uma grande oferta de opções de compras, cultura, lazer e outras necessidades do dia a dia a uma curta distância. A pesquisa mostra que, na média, as pessoas preferem caminhar nos deslocamentos de até 6 km, e usam o transporte coletivo ou individual nas distâncias maiores.
Veja como as pessoas se locomovem nesses bairros centrais:
Sé
Transporte coletivo: 58%
Individual: 21%
Famílias sem carro: 72%
Meio principal: metrô 39%
República
Transporte coletivo: 54%
Individual: 21%
Famílias sem carro: 71%
Meio principal: metrô 33%
Santa Cecília
Transporte coletivo: 39%
Individual: 29%
Famílias sem carro: 53%
Meio principal: a pé 31%
Consolação
Transporte coletivo: 45%
Individual: 33%
Famílias sem carro: 46%
Meio principal: metrô 29%
Bela Vista
Transporte coletivo: 50%
Individual: 33%
Famílias sem carro: 48%
Meio principal: metrô 33%
Liberdade
Transporte coletivo: 50%
Individual: 26%
Famílias sem carro: 52%
Meio principal: metrô 36%
Leia mais texto sobre o Centro de São Paulo.




