Terça-feira, 8 de setembro de 2026
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Como foi o Diálogos A Vida no Centro, evento que reuniu os influenciadores do Centro de SP

Com casa lotada, primeira edição do ciclo de debates e networking promovido pelo A Vida no Centro juntou empresários, poder público e agentes de cultura para discutir o presente e o futuro do Centro.

Como foi o Diálogos A Vida no Centro, evento que reuniu os influenciadores do Centro de SP

Maria Alice Rosa

Quando decidiram abrir negócios em São Paulo, empresários da área de entretenimento, mercado imobiliário, gastronomia e cultura dispunham de inúmeras opções de bairros consagrados pelo sucesso de público em suas áreas, mas optaram pelo local onde a história da capital paulista começou: o Centro. No dia 7 de junho, eles contaram suas histórias de empreendedorismo e inovação, junto com representantes do Sesc, Sebrae, Porto Seguro e do poder público municipal, na primeira edição do Diálogos A Vida no Centro, ciclo de debates e networking realizado pelo hub de inovação e cultura A Vida no Centro que reuniu empresários e influenciadores da economia criativa para discutir a região, que passa por um momento de grande efervescência e transformação.

O evento teve o patrocínio da MMC Investimentos e da ULIVING Brasil, que sediou o projeto em sua nova unidade, o ULIVING 433 – e apoio institucional do Sebrae-SP e da Associação Viva o Centro. Além de debates, a programação incluiu também uma exposição de fotos do projeto Calçada SP, criado pelos publicitários Wans Spiess e Tony Nyenhuis, e um grafite de Ciro Schu, um dos principais grafiteiros de São Paulo, finalizado ao vivo pelo artista. Depois dos painéis, um happy hour no terraço da nova unidade, com vista para ícones do Centro, como Farol Santander, o Edifício Itália e o Copan, onde público e debatedores puderam continuar a troca de ideias.

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O grafiteiro Ciro Schu finaliza obra na parede do terraço do ULIVING 433

Por que um evento como o Diálogos A Vida no Centro

“O Centro precisa ser redescoberto, e para isso acontecer é necessário, entre outras coisas, que ele seja discutido por todas as pessoas que fazem parte de seu ecossistema. É por isso que organizamos este evento. A região vive um momento de grandes transformações culturais e inovadoras, ao mesmo tempo em que ainda tem inúmeros desafios a vencer”, sintetizou o jornalista Clayton Melo, empreendedor e cofundador do A Vida no Centro, na abertura do encontro.

O local do evento foi um prédio da década de 1950 que passou por um retrofit – reforma total de instalação elétrica, hidráulica e de acabamentos, aproveitando a estrutura de construção. O ULIVING 433 será inaugurado até julho como uma residência estudantil totalmente conectada aos hábitos e comportamento dos jovens estudantes.

“O Centro tem inúmeros aspectos que nos convidam a viver na região. O primeiro deles é a mobilidade. Nenhum outro bairro tem tantos ônibus, estações de metrô e tanta facilidade para fazer tudo a pé, já que é todo plano. Outra vantagem é o polo de entretenimento no qual vem se transformando”, afirma Juliano Antunes, presidente da ULIVING Brasil.

Para Christophe Van Hamme, sócio da MMC Investimentos, parceira do projeto ULIVING 433, a velocidade de transformação do Centro vai depender da velocidade de expansão do retrofit, processo que ainda enfrenta várias dificuldades, de falta de financiamento a excesso de burocracia na hora de transformar o edifício. “O retrofit é uma acupuntura urbana”, diz ele.

Apesar da grande variedade de centros culturais, teatros e restaurantes, o Centro de São Paulo ainda está longe de explorar todo o seu potencial nesta área. Fábio Balestro, sócio do recém-inaugurado complexo de entretenimento Tokyo, na rua Major Sertório, percebeu isto – e muito mais. “Acreditamos que existam dois modelos de cidade que são conflitantes: ou se afastar do Centro, aumentando o tempo de deslocamento e criando mais engarrafamentos na cidade, ou tornar o Centro da cidade um lugar agradável, seguro e dinâmico. Nossa visão é investir nesta segunda opção, a da revitalização, ainda mais num Centro tão rico em vários aspectos como o de São Paulo”, afirma. Balestro participou do primeiro painel do Diálogos: “Como os novos negócios estão transformando o Centro de São Paulo”. Ao lado dele, a criadora do Drosophyla Bar, Lilian Varella, o gerente do Centro regional Centro do Sebrae, Alexandre Robazza, e o prefeito regional da Sé, Eduardo Odloak.

A mediadora do debate, Denize Bacoccina, jornalista e cofundadora do A Vida no Centro, destacou que o centro de São Paulo vem passando por grandes transformações, com novos empreendimentos e aumento de moradores, atraídos pelo estilo de vida mais sustentável, com facilidade de locomoção e grande oferta de atividades culturais e de lazer. Se até o fim do século passado o Centro vinha perdendo população, hoje a região da República é a campeã de lançamentos imobiliários em São Paulo. “Entre 2014 e 2016, período mais recente das estatísticas, essa região concentrava 15% dos lançamentos de toda a cidade”, disse Denize.

Opção pelo Centro

“O Centro é um lugar fervilhante e eu gosto de ficar onde a história acontece”, disse a empresária Lillian Varella, do Drosophyla Bar, instalado em um casarão de 1920 tombado pelo patrimônio histórico, na rua Nestor Pestana. É verdade que a primeira localização paulistana do Drosophyla, bar criado há 32 anos em Minas Gerais, não foi no Centro, mas em uma travessa da rua Consolação, a Pedro Taques. Mas Lillian conta que, até então, todos os lugares ocupados pelo bar em sua história correspondiam às condições financeiras do momento, não eram exatamente uma escolha.

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