Terça-feira, 8 de setembro de 2026
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Pandemia muda relação cidade e trabalho e estimula a reivindicação de novos direitos

A pandemia acelera transformações e reforça a necessidade de políticas urbanas baseadas em dados, diz Wilson Levy, doutor em Direito Urbanístico pela PUC-SP e coordenador do mestrado em Cidades Inteligentes e Sustentáveis da UNINOVE.

Pandemia muda relação cidade e trabalho e estimula a reivindicação de novos direitos

Por Denize Bacoccina e Clayton Melo | No plano das cidades, a pandemia no novo coronavírus deve acelerar mudanças que já estavam em curso, especialmente as transformações no mundo do trabalho e suas interações com o espaço urbano. A análise é de Wilson Levy, advogado e doutor em Direito Urbanístico pela PUC-SP, com estágio de pós-doutoramento em Urbanismo pelo Mackenzie e em Direito da Cidade pela UERJ. Ele também acredita que a internet, por exemplo, será vista como um serviço básico, como água e energia elétrica, já que ficou evidente que ela é necessária para o exercício dos outros direitos, como o recebimento dos auxílios do governo.

Nesta entrevista ao A Vida no Centro, Wilson – que também é diretor do mestrado em Cidades Inteligentes e Sustentáveis da UNINOVE – afirma que, na nova configuração do mercado de trabalho, as profissões do futuro estão ligadas ao universo da tecnologia e da criatividade. “Temos as novas profissões da economia criativa, aquelas ligadas ao ambiente virtual, à tecnologia, programação de aplicativos, programação de software, que já indicavam que os deslocamentos na cidade não eram de todo necessários”, diz. “Acho que a pandemia vai acelerar a incorporação de novas rotinas de trabalho na vida das pessoas e elas vão perceber que muitos deslocamentos, que eram feitos quase que por inércia, se tornaram desnecessários”.

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Pandemia, cidade inteligentes e trabalho

Nesse sentido, a necessidade de discutir políticas urbanas com base em dados e estudos científicos deve ganhar força – e isso está relacionado ao debate sobre cidades inteligentes. “Este é um momento bom para reafirmarmos que, qualquer que seja a decisão sobre determinada política urbana, ela precisa ser baseada em dados, em indicadores e isso precisa ser acompanhado, monitorado, ajustado, para que produzam efeitos práticos que causem resultados na vida das pessoas. Isso tem muito a ver com cidades inteligentes”, diz.

OUÇA ABAIXO O PODCAST COM WILSON LEVY SOBRE O FUTURO DAS CIDADES PÓS-PANDEMIA

“As pessoas pensam em cidades inteligentes pensando em semáforos, aquelas telas cheias de gráficos, números. A cidade aproxima as pessoas. Se ela for bem-sucedida em aproximar pessoas diferentes, permitir que as interações sejam ricas e construtivas e com isso colocar em desenvolvimento acelerado o processo de criação de soluções inovadoras, aí, sim, estamos diante de uma cidade inteligente”, afirma.

E LEIA ABAIXO OS PRINCIPAIS TRECHOS DA ENTREVISTA:

A Vida no Centro – Já pensando no momento em que as atividades puderem retomadas, talvez daqui uns dois meses, como você vê a retomada da vida na cidade? O que você está projetando em termos de transformações e impactos, passada a primeira onda da pandemia?

Wilson Levy – Acho que, num primeiro momento, as pessoas vão buscar restabelecer algum nível de contato social. Somos seres gregários, sociais, e isso é o que as pessoas mais têm sentido falta nesse período. Para retomar algum nível de contato social, acho que devem ser observadas as regras de higiene e o uso de máscara. As pessoas vão buscar restabelecer o contato social, seja com seus parentes que estão também em isolamento, seja com amigos. Acho que teremos um primeiro momento de euforia. Ainda que seja uma euforia marcada pelo receio, pelo medo, pela insegurança.

No plano das cidades, a pandemia acelera um processo que já estava em curso, a da transformação no mundo do trabalho. A cidade é o local onde 85% dos brasileiros desenvolvem sua atividade produtiva, sua atividade econômica. Já vínhamos de um processo que alguns chamam de quarta revolução industrial, que trouxe um impacto grande na maneira como nos relacionamos com o território. As profissões do futuro são as profissões ligadas ao universo da tecnologia, da economia criativa. São processos de cocriação que não necessitam de um suporte presencial. Temos softwares de projetos de engenharia, de projetos arquitetônicos, que permitem que pessoas em países diferentes interajam de forma produtiva em torno de um projeto. Temos as novas profissões da economia criativa, aquelas ligadas ao ambiente virtual, à tecnologia, programação de aplicativos, programação de software, já indicavam que os deslocamentos na cidade não eram de todo necessários. Acho que a pandemia vai acelerar a incorporação de novas rotinas de trabalho na vida das pessoas e elas vão perceber que muitos deslocamentos, que eram feitos quase que por inércia, se tornaram desnecessários.

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