Meu primeiro post pode ter passado a impressão de que este escriba é um cara apegado ao passado. Que eu sou um daqueles chatos, crédulos de que música boa é apenas aquela feita quando os pais dos millenials ainda nem tinham a capacidade de reproduzir.
Aí veio o Spotify e mostrou a este quase aposentado (pelas regras antigas) que havia muita coisa boa sendo produzida hoje. Viciado no aplicativo, fui apresentado a um monte de novidades (e velharias) que despertaram a minha atenção. Assim, resolvi mostrar neste blog que música de qualidade desconhece tempo, espaço e formato.
Criei a playlist “Spotifive – Franquezas”. Se você for usuário do aplicativo, a lista tá lá, basta pesquisar pelo nome. Se não, dá para ouvir as faixas aqui mesmo.
Isso posto, o plano é, em todas as sextas-feiras, ir acrescentando cinco músicas à lista (daí vem o nome Spotifive, sacou? ;)). Mas, na linha “o gerente enlouqueceu”, a playlist já nasce com dez músicas. Pague uma e leve duas.
Então, vamos lá, porque a vida é curta e tem tanta coisa boa pra ouvir…
1 – Las Die Schweinehunde Heulen – Lisa Bassenge
https://www.youtube.com/watch?v=oQ9QzSU2vds
Avisa o Trump que essa coisa de acolher refugiados pode render maravilhas como essa música. Fraulein Bassenge é resultado do encontro entre um alemão e uma iraniana. E essa miscigenação faz bonito em qualquer pista de samba-rock brasileiro!
2 – Calypso Blues – Youn Sun Nah
https://www.youtube.com/watch?v=236PCiS95iM
Se, há três anos, alguém dissesse que eu cairia de amores por uma cantora coreana, mandaria internar. Daí essa moça me foi recomendada pelo Spotify. E eu descobri uma nova maneira de fantasiar com asiáticas.
3 – Proposta Indecente – Dona Onete
https://www.youtube.com/watch?v=K1uI9n_tfTU
Incrível imaginar que essa diva do carimbó chamegado tenha sido descoberta apenas aos 62 anos. O mundo perdeu a chance de ter tomado contato muito mais cedo com esse recorte desavergonhadamente brega e contemporaneamente arranjado da música paraense!
4 – Koop Island Blues – Koop
https://www.youtube.com/watch?v=Ji0xDg6EVvI
Os suecos Magnus Zingmark e Oscar Simonsson são dois artesãos musicais. Vão juntando cacos e fragmentos melódicos até montar algo como esse belíssimo, singelo e dolorido tratado sobre a separação.
5 – Dokhtare Shab – Mehrpouya
https://www.youtube.com/watch?v=Y_wanJmKLl8
Virtuose da cítara, Abbas Mehrpouya (1927-1992) foi um dos mais renomados músicos iranianos. Essa faixa demonstra como devia ser divertido viver no Irã antes da revolução islâmica.
6 – We the People – Peyoti for President
https://www.youtube.com/watch?v=5BeAw5hlEoE
Gravada em 2007, essa música conheceu a luz em Londres, mas bem que podia ter sido no Pelourinho de Salvador.
7 – Tu Veux ou Tu Veux pas – Zanini
https://www.youtube.com/watch?v=jv81sNYSZ9w
Clarinetista de jazz nascido em Istambul e radicado na França, Marcel Zanini aceitou o desafio de, em 1969, reinterpretar o sucesso “Nem Vem que não Tem”, de Wilson Simonal. Fez uma versão bem humorada, em contraste com a leitura mais sexy de Brigitte Bardot.
8 – Jersey Girl – Holly Cole
https://www.youtube.com/watch?v=6cWBeeFrHC0
É uma delícia quando uma cantora de jazz como a canadense Holly Cole resolve emprestar a sua técnica para a leitura de uma música pop. A sensualidade escorre pelo fone de ouvido no caso dessa faixa.
9 – Tu Vuo Fa L’americano – Melania
https://www.youtube.com/watch?v=b38NERId6JI
A cantora Melania aplica, em bom dialeto napolitano, uma descompostura naquele sujeito que quer posar de americano, mas que depende da bolsa da mãe para comprar um maço de Camel e que sempre enche o saco quando toma uísque com soda.
10 – Cobardia – Melcochita y Su Conjunto
https://www.youtube.com/watch?v=2_VJI64qJuc
Com o auxílio do trompetista Tito Chicoma, esse humorista peruano mostra, de uma maneira divertidíssima, como uma mulher emocionalmente ferida pode sair do fundo do poço.




