Drosophyla volta aos anos 20 e faz baile de carnaval como antigamente
Bar instalado num casarão de 1920 promove uma volta ao glamour do passado com baile de fantasia e máscaras com marchinhas antigas
O carnaval de rua chegou com força a São Paulo, acabando de vez com a fama injustificada de túmulo do samba e da folia. Um carnaval moderno, inclusivo, tomando as ruas da cidade. Mas e como ficam os saudosistas, que ficam maravilhados olhando fotos e filmes daqueles bailes antigos, com mulheres vestidas de melindrosas?
Pensando nisso, e como no carnaval pode tudo, o Drosophyla, instalado num belíssimo casarão de 1920, na Rua Nestor Pestana, vai promover bailes como aqueles de antigamente, com músicas que marcaram época – e hoje são até proibidas de tocar em alguns locais, por serem consideradas preconceituosas e machistas. Leia mais sobre a casa e sua restauração.
O nome do baile, que será realizado nos dias 9, 10 e 11 de fevereiro, é Evoé, o grito de exaltação a Dionísio/Baco, deus ligado à música e ao teatro na mitologia greco-romana. O set list comandado pelo DJ 9 (Elias) é de marchinhas antigas, frevos, rumbas, sambinhas e carimbós.
História do Carnaval em São Paulo
O primeiro Carnaval moderno de São Paulo foi realizado em 1855 – embora alguns digam que foi apenas em 1857. Antes disso, os paulistanos conheciam o “Entrudo”, jogos introduzidos pelos portugueses ainda no século 16. O primeiro bloco carnavalesco foi organizado por comerciantes, funcionários púbicos e figuras de destaque na sociedade local.
A partir de 1864 houve os primeiros Bailes de Máscaras, ideia trazida do Carnaval de Veneza. Bailes tradicionais eram realizados no Hotel das Quatro Naçoõe, Tivoli Paulistano e no Teatro São José, com serpetinas, confete e lança perfumes.
Além do baile de Carnaval à moda antiga, o Drosophyla tem apresentações da Turma do Funil, abrindo e fechando a folia, nos dias 8 e 15 de fevereiro, com marchinhas, MPB e outras músicas para alegrar o ambiente.
Com uma formação inusitada, com uma cantora-dançarina, guitarra cavaquinho, contrabaixo acústico e bateria, a banda faz um show divertido com suas versões para as mais conhecidas marchinhas de carnaval, sambas de Adoniran, frevo, forro, samba rock e afins.
Serviço
Carnaval no Drosophyla
Rua Nestor Pestana, 163
8 de fevereiro, das 21h às 23h30
Pré-Carnaval com a Turma do Funil
Preço: R$ 20
9 e 10 de fevereiro, às 20h
Evoé: Bailes de carnaval com marchinhas antigas, frevos, sambinhas, carimbós
Preço: R$ 60 sendo R$ 30 de consumação
11 de fevereiro, às 17h
Preço: R$ 60 sendo R$ 30 de consumação
15 de fevereiro, das 21h às 23h30
Turma do Funil – Fechando o Carnaval
Preço: R$ 20
Marchinhas
Quer lembrar algumas marchinhas do século passado (e ainda do anterior?). Aqui ó:
ABRE ALAS
(Chiquinha Gonzaga, 1899)
Ó abre alas que eu quero passar
Ó abre alas que eu quero passar
Eu sou da lira não posso negar
Eu sou da lira não posso negar
Ó abre alas que eu quero passar
Ó abre alas que eu quero passar
Rosa de ouro é que vai ganhar
Rosa de ouro é que vai ganhar
ALLAH-LÁ-Ô
(Haroldo Lobo-Nássara, 1940)
Allah-lá-ô, ô ô ô ô ô ô
Mas que calor, ô ô ô ô ô ô
Atravessamos o deserto do Saara
O sol estava quente
Queimou a nossa cara
Viemos do Egito
E muitas vezes
Nós tivemos que rezar
Allah! allah! allah, meu bom allah!
Mande água pra ioiô
Mande água pra iaiá
Allah! meu bom allah
AURORA
(Mário Lago-Roberto Roberti, 1940)
Se você fosse sincera
Ô ô ô ô Aurora
Veja só que bom que era
Ô ô ô ô Aurora
Um lindo apartamento
Com porteiro e elevador
E ar refrigerado
Para os dias de calor
Madame antes do nome
Você teria agora
Ô ô ô ô Aurora
BALANCÊ
(Braguinha-Alberto Ribeiro, 1936)
Ô balancê balancê
Quero dançar com você
Entra na roda morena pra ver
Ô balancê balancê
Quando por mim você passa
Fingindo que não me vê
Meu coração quase se despedaça
No balancê balancê
Você foi minha cartilha
Você foi meu ABC
E por isso eu sou a maior maravilha
No balancê balancê
Eu levo a vida pensando
Pensando só em você
E o tempo passa e eu vou me acabando
No balancê balancê
BANDEIRA BRANCA
(Max Nunes-Laércio Alves, 1969)
Bandeira branca amor
Não posso mais
Pela saudade que me invade
Eu peço paz
Saudade mal de amor de amor
saudade dor que dói demais
Vem meu amor
Bandeira branca eu peço paz
CABELEIRA DO ZEZÉ
(João Roberto Kelly-Roberto Faissal, 1963)
Olha a cabeleira do zezé
Será que ele é
Será que ele é
Será que ele é bossa nova
Será que ele é maomé
Parece que é transviado
Mas isso eu não sei se ele é
Corta o cabelo dele!
Corta o cabelo dele!
CACHAÇA
(Mirabeau Pinheiro-Lúcio de Castro-Heber Lobato, 1953)
Você pensa que cachaça é água
Cachaça não é água não
Cachaça vem do alambique
E água vem do ribeirão
Pode me faltar tudo na vida
Arroz feijão e pão
Pode me faltar manteiga
E tudo mais não faz falta não
Pode me faltar o amor
Há, há, há, há!
Isto até acho graça
Só não quero que me falte
A danada da cachaça
COLOMBINA IÊ IÊ IÊ
(João Roberto Kelly/David Nasser-1966)
Colombina onde vai você
Eu vou dançar o iê iê iê
A gangue só me chama de palhaço (é a mãe!)
Palhaço (é a mãe!)
Palhaço (é a mãe!)
E a minha colombina que é você
Só quer saber de iê iê iê
CIDADE MARAVILHOSA
(André Filho, 1934)
Cidade maravilhosa
Cheia de encantos mil
Cidade maravilhosa
Coração do meu Brasil
Cidade maravilhosa
Cheia de encantos mil
Cidade maravilhosa
Coração do meu Brasil
Berço do samba e das lindas canções
Que vivem n’alma da gente
És o altar dos nossos corações
Que cantam alegremente