Virada Sustentável 2020: dentro e fora de 4 paredes
A Virada Sustentável 2020 traz interessantes possibilidades sobre o uso do espaço público e alarga sua experiência no espaço virtual
Por Wans Spiess
Ufa! Finalmente a capital paulista entrou na fase verde no último dia 9 de outubro! Uma ótima notícia para a área cultural, que aguardava esta liberação para que museus, cinemas, casas de shows e teatros pudessem retomar suas atividades. Nós, do CalçadaSP, também amamos caminhar para curtir um bom filme na telona, pipoca e a poltrona de cinema.
Por outro lado, a rua é, e continuará sendo, um lugar de honra para manifestações artísticas. Shows, manifestações e outros eventos ao ar livre fazem parte da programação cultural desde sempre, sem contar o fenômeno da retomada do espaço público nos últimos tempos. O que a pandemia causada pelo Covid-19 deixou mais evidente é que há muitas outras possibilidades a serem experimentadas para além dos limites de espaço e tempo.
Um bom exemplo disso é a Virada Sustentável, festival que há 10 anos mobiliza o tema da sustentabilidade no Brasil. Grande parte de suas atrações sempre aconteceu em teatros, cinemas e outros locais fechados, concentradas em 3 ou 4 dias de evento. Com a necessidade de evitar multidões, a edição 2020 teve que se reinventar. Conversamos com André Palhano, fundador do evento, que explica: “A edição assume, de uma maneira interessante, uma cara de campanha. Vamos continuar trazendo mensagens e informações usando a arte e elementos disruptivos e criativos, e queremos ocupar locais da cidade sem necessariamente chamar as pessoas para aglomerar“.
A sacada deles foi genial. Para além das lives (sim, aconteceram poucas – e boas – conversas online), a Virada Sustentável 2020 ocupou diversas regiões da cidade com instalações urbanas, grafites, projeções mapeadas e performances artísticas, sempre com a preocupação de evitar aglomerações e em linha com os protocolos de saúde. “Um convite para a nossa audiência transitar do presencial para virtual, um festival híbrido“, afirma Palhano.
Ficamos animados em ver a mobilidade e a ocupação do espaço público entre os temas de destaque desta edição, e curtimos ainda mais a explicação para tal escolha: “não é preciso confinar a cidade em alguns poucos lugares; dá para ocupar lugares diferentes do espaço público e ainda transitar entre o físico e o virtual“.
Elencamos a seguir os nossos destaques para que juntos a gente possa conhecer algumas das atrações.
Os painéis de Andy Singer
Não importa se a pé, de carro ou de bike. Quem passa na Paulista pode ver os cartazes de Andy Singer expostos ao longo da avenida. De forma irônica, ele coloca em pauta a relação entre pedestres, ciclistas e motorizados, e nos faz refletir sobre porque o pensamento pedestre continua sendo inferiorizado. E não deixa de ser marcante o fato do programa Paulista Aberta – quando a rua é aberta aos pedestres e fechada para os carros aos domingos – permanecer suspenso. Uma dica: se você não conseguir dar um corre lá na Av. Paulista, o livro CARtoons – Atropelando a ditadura do automóvel foi editado no Brasil e está disponível para download gratuito neste link. A exposição permanece no canteiro central da Avenida Paulista até 15 de novembro.
A ocupação do Minhocão
O conhecido Minhocão, via elevada, estéril e cinza, é transformado em floresta no meio da cidade. Uma intervenção performática, uma intervenção sonora e uma exposição ao ar livre problematizam o crescimento urbano e a imposição dos modelos econômicos em contraponto da necessidade de preservação ambiental e da mudança dos nossos hábitos.
Acontece no sábado e domingo, 17 e 18 de outubro.
Para ser a mudança
Contribuir com inspiração e reflexões para a construção de um REFUTURO possível. Esta é a proposta de uma série de intervenções e performances que ocupam as estações do metrô, de 16 de setembro a 19 de outubro. O que mais chamou nossa atenção foi a escolha pela sinalização nas escadarias das estações. É o chão dando o seu recado ao lembrar que não dá pra ficar parado e que podemos ser a mudança que desejamos no mundo.
Os ovos estão fritando
A instalação “Eggcident” do artista holandês Henk Hofstra, Países Baixos, China, Chile e na Rússia, chega ao Largo da Batata com a proposta de trazer sarcasmo e impacto à Virada. Sua instalação artística simula ovos fritos gigantes e dá o alerta ao aquecimento global. A ideia é que as pessoas interajam com a obra (só não pode subir na estrutura amarela) sem deixar de refletir sobre o meio ambiente. O local foi escolhido por ser uma região bastante movimentada, ao ar livre, e com espaço livre e generoso que facilita a montagem. Já ficamos imaginando esta grande fritada no novo Anhangabaú.
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