A Vida no Centro

Publicado em:
Tempo de leitura:5 minutos

Palacete, colégio de freiras, estacionamento: a história do Parque Augusta

Conheça a história do Parque Augusta: de colégio de freiras de elite a área disputada pelo mercado imobiliário

O local onde está sendo instalado o Parque Augusta, entre as ruas Augusta, Caio Prado e Marquês de Paranaguá, tem uma história longa desde as primeiras construções no local, no início do século 20. Conheça a história do Parque Augusta.

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter para ficar por dentro de tudo o que rola no centro

Em 1902, quando esta área ainda era dominada por chácaras e bem distante do Centro, que na época era restrito à região entre a Praça da Sé o Largo de São Bento, ali foi construído o Palacete Uchoa, projetado por Victor Dubugras para a família Uchoa.

Palacete Uchoa, construído no início do século 20

Em 1906, o palacete foi vendido às Cônegas de Santo Augostinho, que instalaram no casarão o tradicional colégio particular feminino Des Oiseaux.

Entre 1908 e 1917 foi construído o anexo do Colégio Des Oiseaux, com projeto do arquiteto-engenheiro Maximiliam Hehl.

No mesmo lote havia ainda outras duas instituições de ensino: a Escola Santa Mônica para meninos e meninas pobres, construída por volta de 1910, e o Instituto Superior de Filosofia, Ciências e Letras Sedes Sapientiae, projetado por Rino Levi e construído em 1941. Em 1946, o Instituto Sedes Sapientiae incorporou- se à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC) e em 1971 teve seu trecho do lote desmembrado da parcela hoje conhecida como Parque Augusta.

Bosque original será preservado Foto: Acervo SVMA

Parque Augusta tem origem no jardim

Data da época das instituições de ensino a formação do bosque que vemos hoje e que deu origem ao parque. Não se trata de um segmento de mata nativa, mas de centenas de árvores que foram plantadas e formavam o jardim das freiras.

Um levantamento da Secretaria do Verde e Meio Ambiente mostra que existem dezenas de espécies, entre elas espécies nativas como canelinha-cheirosa, figueira-mata-pau e tapiá-guaçu, embaúba, ipê- amarelo, espécies frutíferas como grumixama e pitangueira e a palmeira-jerivá.

Bosque original será preservado Foto: Acervo SVMA

Mas são as espécies exóticas, que não são originais da região, que predominam, como eucalipto, aglaia, alfeneiro, falsa-seringueira, falso-pau- incenso, jacarandá-mimoso, sibipiruna e tipuana, além de frutíferas como abacateiro, amoreira-preta, jambolão, mangueira, nespereira, uva-japonesa, cafeeiro, jambeiro, mamoeiro e palmeiras como areca-bambu, palmeira-de-leque-da-china, palmeira-seafórtia, palmeira-washingtonia, tamareira e tamareira-das-canárias.

Com a criação do Parque, a proposta é preservar as espécies da Mata Atlântica e substituir as plantas exóticas por nativas à medida em que elas forem morrendo.

Demolição do Palacete Uchoa

O palacete Uchoa foi demolido em 1962. Já o Colégio Des Oiseaux funcionou até 1967, tendo toda sua área verde envoltória declarada como de utilidade pública (DUP) pela Prefeitura de São Paulo em 1970.

Em 1973, o Decreto Municipal número 10.766 garantiu a proteção do bosque e sua fruição pública e estabeleceu uma taxa de ocupação máxima do terreno de 25% da área da gleba, ressalvando a porção do bosque, no qual nada deveria ser edificado. Mesmo assim, no ano seguinte os edifícios do antigo Colégio Des Oiseaux e da Escola Santa Mônica foram demolidos.

O espaço ocupado pelo colégio é a clareira que se pode ver nas fotos aéreas, do lado da Rua Augusta e que em algum momento foi usado como estacionamento.

Com a demolição das escolas, local virou estacionamento

Restaram algumas construções, que ainda estão presentes na área, como a casa do bosque, o portal na Rua Caio Prado e resquícios como degraus, tijolos, pisos, trechos de percursos.

Casa do Bosque está sendo restaurada Foto: Acervo SVMA

Em 1989 o Decreto Estadual número 30.443 declara a área patrimônio ambiental.

Desde então, além de estacionamento ao longo dos anos o local abrigou atividades como shows, tendas de circo e outras atividades culturais, enquanto se discutia a criação do parque, embora o terreno fosse privado. Foram feitos vários acordos entre construtoras e incorporadoras, para a construção de hotéis, hipermercados e torres multifuncionais no local, todas sem sucesso.

Portal de entrada está sendo restaurado Foto: Acervo SVMA

Em 2002, a implantação do Parque Augusta é incluída no Plano Diretor da cidade. E o Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo), decide tombar, através da Res. 23/CONPRESP/04, os exemplares arbóreos presentes no bosque e as construções remanescentes do antigo Colégio Des Oiseaux (casa do bosque e portal da Rua Caio Prado).

Em 2013 é sancionada a Lei número 345/06, que autoriza a criação do Parque Augusta. E começa então um longa negociação entre o poder púbico e os donos do terreno, culminando com o acordo que prevê a compra do terreno por meio de outras compensações, com direito de construção em outras áreas da cidade.

Leia também: PARQUE AUGUSTA ATRASA E TEM NOVA DATA DE CONCLUSÃO