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Cine Bijou - A Vida no Centro
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Os Satyros reabrem Cine Bijou na Praça Roosevelt

Ivam Cabral e Rodolfo Garcia Vazquez contam ao A Vida no Cento seus planos para a reabertura do Cine Bijou, ícone do cinema de arte em São Paulo que formou gerações de cinéfilos

Por Denize Bacoccina

A companhia de teatro Os Satyros, que já tem dois teatros na Praça Roosevelt, vai reabrir o Cine Bijou, espaço que formou gerações de cinéfilos desde os anos 1960 em São Paulo. A reabertura está prevista para os próximos meses, entre junho e julho, com uma programação de filmes de arte e mostras de clássicos do cinema.

Rodolfo García Vázquez e Ivam Cabral (veja foto acima, de André Stefano), fundadores da cia que neste ano completa 30 anos, é dar um presente para São Paulo trazendo de volta não apenas as cadeiras de couro vermelho, originais dos anos 1970, como exibindo clássicos do cinema de arte e mostras temáticas, numa programação em conjunto com o Cine Belas Artes e a distribuidora Pandora, do ex-secretário de Cultura André Sturm.

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“É um teatro muito, muito bonitinho, e estamos muito felizes em dar este presente para São Paulo no momento em que completamos 30 anos”, diz ao A Vida no Centro Ivam Cabral. “Vamos ter trabalho dobrado, porque cinema de rua não está num momento fácil, mas temos esse compromisso social, como companhia de teatro, e precisamos fazer isso pela memória e pelo futuro.”

Veja fotos do Cine Bijou:

A ideia é trazer o cinema de volta para o espaço que ele já ocupou na cultura paulistana no passado, como local de exibição para filmes de arte por mais de três décadas. “Eu desenvolvi minha paixão pelo cinema nos anos 1980, assistindo Pasolini, Fellini, Bergman, todos no Bijou. Era o centro de cinefilia de São Paulo”, contou Rodolfo ao A Vida no Centro. “É com muito orgulho que vamos devolver o projeto de um cinema de arte para aquele espaço, dialogando com os novos tempos e a nova Roosevelt”, diz ele.

O próprio André Sturm já foi um dos administradores do espaço. Nesta nova fase o Cine Bijou vai contar com o acervo da Pandora, distribuidora dos principais filmes de arte e clássicos do cinema.

Tradição cultural da Roosevelt

O espaço histórico, no número 172 da Praça Roosevelt onde nos últimos anos funcionou o Teatro do Ator, poderia ter tido outro destino. Embora não pretendessem abrir um novo espaço na rua, pois já administram outros dois teatros, os Satyros decidiram alugar o espaço quando souberam das outras propostas recebidas pelo proprietário.

“Não passava pela nossa cabeça pegar mais um espaço, mas quando soubemos que poderia virar uma igreja ou mais um bar fizemos um esforço hercúleo e decidimos pegar”, contou Ivam.

Espaço histórico do teatro brasileiro que passou por um momento de decadência, a Praça Roosevelt recuperou – graças ao trabalho iniciado pelos Satyros em 2000 – nos últimos anos sua vocação de espaço de manifestação artística, cultural e boêmia, mas apenas cinco salas de teatro permanecem na rua – Satyros 1 e 2, Parlatapões, Teatro Heleny Guaryba e, até o ano passado, o Teatro do Ator, que agora reabrirá como Cine Bijou. No fim de 2017, o cineasta argentino Roberto Fernández tentou reativar o Cine Bijou como um cineclube, no teatro ao lado, mas a ideia durou apenas uma temporada.

No Cine Bijou, os Satyros vão priorizar o cinema, com sessões à tarde e à noite, mas o espaço também deve receber peças de teatro em horários alternativos, como tarde da noite, além de cursos, palestras e debates. “Será um espaço muito aberto, muito democrático”, diz Ivam.

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Denize Bacoccina

Denize Bacoccina

Denize Bacoccina é jornalista e especialista em Relações Internacionais. Foi repórter e editora de Economia e correspondente em Londres e Washington. Cofundadora do projeto A Vida no Centro, mora no Centro de São Paulo. Aqui é o espaço para discutir a cidade e como vivemos nela.