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A Vida no Centro

Rapper cadeirante Billy Saga leva sua luta contra exclusão a show no Itaú Cultural

Militante dos direitos dos deficientes físicos, Billy Saga diz que São Paulo ainda é uma cidade pouco acessível para quem se locomove em cadeiras de rodas

O rapper cadeirante Billy Saga lança neste dia 7 de setembro, feriado, seu segundo disco, “As ruas estão olhando”, em show com entrada gratuita no Itaú Cultural, na Avenida Paulista. O show tem participações especiais do rapper Fabio Brazza e do MC Sombra, do grupo de rap nacional SNJ.

O MC paulistano é considerado, atualmente, um dos mais autênticos e combativos rappers a abordar, nas entrelinhas de suas músicas, o direito das pessoas com deficiência. As letras de Billy Saga trazem à tona o tema da resistência, com a reflexão sobre o combate à exclusão social, historicamente ressaltada pelo racismo, preconceito e violência às minorias desfavorecidas. A apresentação conta com interpretação em Libras.

Em 1998, Saga foi atropelado por uma viatura da Polícia Militar, que passou no semáforo vermelho. No acidente, teve a coluna fraturada em três lugares, ficando paraplégico. Desde então, passou a se dedicar ao processo de inclusão, sensibilizando a sociedade sobre os direitos das pessoas com deficiência, unindo o rap à sua luta.

O disco que está sendo lançado em São Paulo já teve uma turnê internacional, em setembro do ano passado, com shows nas cidades inglesas de Londres, Bristol e Newcastle. Para o show no Itaú Cultural, Billy Saga apresenta músicas deste álbum, como Conclave, Abelha Africana, Derrubo um Rei, Saga, As Ruas Estão Olhando e Independente Desde Sempre, com participações especiais do rapper Fabio Brazza e do MC Sombra, do grupo de rap nacional SNJ. Nos toca-discos, DJ Latif, no backing vocal Ju Caldas e Renato Tupã e percussão com Léo Vitulli.

Inclusão social

Saga já era músico quando se tornou cadeirante, mas sua arte adquiriu uma outra dimensão e passou a incluir a temática da inclusão das pessoas com deficiência. Sem vias públicas adaptadas, elas ainda enfrentam dificuldade para se locomover sem ajuda pela cidade. “Quando me tornei cadeirante me deparei com uma realidade que eu não conhecia”, conta ele em entrevista ao projeto A Vida no Centro.

Desde então, o músico, que também é publicitário e artista plástico, criou a ONG Movimento SuperAção e foi coordenador social da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência, na gestão da secretária Mara Gabrili, tem se dedicado ao tema em suas músicas e à militância no restante do tempo.

O Movimento SuperAção, criado por ele e amigos em 2003, busca conscientizar as pessoas e mostrar que tornar a cidade acessível a todos não é uma questão de caridade, mas de humanidade. “Não é assistencialismo, mas uma luta pela equiparação de oportunidades”, afirma. “O trabalho é por uma sociedade mais humana, com a inclusão de todo mundo, sem negligenciar ninguém”, diz o músico.

Centro de São Paulo não é inclusivo

O trabalho na Prefeitura o levou a frequentar bastante o centro de São Paulo, e a concluir que a região, assim como a maior parte da cidade, não está preparada para permitir que o cadeirante se locomova sozinho com segurança. “São Paulo ainda tem muito a evoluir. Ainda é muito excludente”, afirma.

Um dos problemas está no mosaico português das calçadas, que não permitem que a cadeira deslize com facilidade. E apesar do avanço com o rebaixamento das guias em frente às travessias de pedestres, a grande maioria têm buracos ou obstáculos que podem causar acidente. “Saindo da Avenida Paulista já torna-se tudo bem precário”, diz ele sobre as calçadas da cidade.

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A dificuldade de acesso à cidade por conta das barreiras arquitetônicas reduz as oportunidades de trabalho das pessoas com deficiência, e as coloca numa situação de depender de ajuda, o que reforça os estereótipos de que são pessoas incapazes. E a existências de leis de acessibilidade nem sempre é suficiente, já que muitas não são cumpridas. “A partir de 2014 todos os ônibus deveriam ser acessíveis, e até hoje nem todos são, diz Saga.

No show, quando vê outros cadeirantes, Saga sente que está ajudando a mostrar que é possível superar as barreiras. “Meu papel enquanto formador de opinião é ajudar as pessoas a se aceitar, ter autoestima, entender que não está pedindo esmola quando pede acessibilidade”, diz ele.

Apesar disso, Saga sofre na própria pele a dificuldade em fazer as coisas andarem. O policial que passou no sinal vermelho e foi responsável pelo acidente que o deixou numa cadeira de rodas nunca foi punido e a ação pedindo indenização ao Estado também não teve desfecho, apesar de já terem se passado quase duas décadas. “A sensação é de impunidade. Mas é preciso levantar essa bandeira, engrossar as fileiras e fazer barulho. Uma andorinha só não faz verão”.

SERVIÇO

MC Billy Saga

Onde? Sala Itaú Cultural

Quando: 7 de setembro (quinta-feira), às 20h

Interpretação em Libras

Entrada gratuita

Distribuição de ingressos:

Público preferencial: 2 horas antes do espetáculo (com direito a um acompanhante)

Público não preferencial: 1 hora antes do espetáculo (um ingresso por pessoa)