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A Vida no Centro

Pink Star Foto: André Sefano

Proibida de usar a Praça Roosevelt, Satyrianas discute democratização de espaços públicos

Satyrianas 2017 tem 400 atrações, menos do que no ano anterior, por causa da proibição em usar a Praça Roosevelt, mesmo durante o dia

Mais de 400 atrações integram a programação do Satyrianas em 2017, entre os dias 2 e 5 de novembro. Proibida de usar a Praça Roosevelt, onde tradicionalmente se concentrava a programação criada pela Cia Os Satyros, os responsáveis pelo processo de revitalização da praça, os eventos deste ano, na 18ª edição, estão programados para espaços no entorno da Roosevelt e em outros lugares no centro da capital.

A abertura, na quinta-feira, às 18h, é com uma roda de samba gratuita do Acadêmicos do Baixo Augusta na sede do bloco, na Rua da Consolação, esquina com a Rego Freitas.

O tema deste ano é “Porque Somos Baldios”, e discute a democratização dos espaços públicos da cidade de São Paulo. Na programação estão apresentações de teatro, dança e música, leituras dramáticas, exibição de filmes e performances. A lista completa está no site. Os ingressos para o festival funcionam no formato pague quanto puder.

Desde 2009, o Satyrianas faz parte do calendário oficial do Estado de São Paulo. O festival também rendeu à Cia. Os Satyros, em 2007, o Prêmio Especial da Crítica da APCA, e, em 2013, o Prêmio Shell de Inovação.

Roosevelt proibida

Pela primeira vez desde sua criação, o Satyrianas não ocupará a área aberta da Praça Roosevelt. Um decreto publicado em fevereiro pela prefeitura de São Paulo proibiu o uso do espaço para a realização de qualquer tipo de evento. Com a proibição da Roosevelt, a organização teve que redistribuir a programação do festival para outros espaços e reduzir o número de atrações – em 2016, foram mais de 600 atividades – apesar de um número recorde de grupos interessados em se apresentar no evento, especialmente de teatro de rua.

“A proibição de usar a Roosevelt também nos obrigou a abdicar da tenda de circo e dos palhaços ciclistas, que eram as atrações preferidas das crianças. É muito triste não poder usar um espaço como a praça, tão democrático e importante para todos nós artistas e para a cidade”, lamenta o coordenador geral do festival, Gustavo Ferreira.

As regras municipais também impõem limite às atividades do Satyrianas, que têm de acabar à 1h da manhã. No ano passado, o festival durou 78h ininterruptas.

A programação na Roosevelt acontecerá nos teatros do entorno da praça. A SP Escola de Teatro recebe atividades como o 11º Dramamix, com cenas curtas escritas especialmente para o festival, e o Dramas Paralelos, em que os estudantes de dramaturgia da escola escrevem textos ao vivo durante três horas. Já Os Satyros apresenta na sua sede parte do repertório da companhia, incluindo as peças da recente “Trilogia das Pessoas”.

Peças no centro

Três novos teatros recebem a programação do Satyrianas em  2017: o Galpão do Folias, a sede da Cia. Pessoal do Faroeste e o Teatro de Contêiner, da Cia. Mungunzá. Os espaços compõem o polo Luz, criado como parte da discussão contrária à gentrificação do centro de São Paulo e como um movimento político e artístico de ocupação da cidade pela população.

Os 120 dias de Sodoma Foto: Andre Stefano

Os 120 dias de Sodoma Foto: Andre Stefano

O polo contará com espetáculos e eventos musicais. A Cia. Os Satyros, por exemplo, apresenta na região as peças “Pink Star” (dia 3/11, às 20h, no Folias) e “120 Dias em Sodoma” (dia 4/11, às 19h30, no Pessoal do Faroeste). Já a Cia. Mungunzá recebe a peça “Rei Lear” (de 2 a 5/11, às 21h), dirigida por Moacir Chaves, e a festa Je Treme Mon Amour (dia 4/11, a partir das 23h59), uma homenagem aos cabarés “beira-de-estrada e rebolados do terceiro mundo”, ao som de lambadas, bregas e arrochas. As atrações fazem parte da Ocupação Pernambuco, que acontece no espaço até 5 de novembro.

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O ator Marcos Felipe, da Cia. Mungunzá, considera a expansão do Satyrianas para outros espaços uma resposta ao retrocesso e ao moralismo. “Num momento tão difícil como este, é importantíssimo que a Satyrianas seja descentralizada não apenas como manifesto cultural pulverizado, mas também como ponta de lança da urbanidade. Jogando novamente o olhar sobre a ocupação do espaço público e suas mais variadas ressignificações”, diz Marcos.

Baixo Augusta

O Acadêmicos do Baixo Augusta, maior agremiação do Carnaval de rua de São Paulo, participa pela primeira vez do Satyrianas, com uma roda de samba na abertura, na quinta- feira, dia 2.

“Ficamos muito felizes com a parceria do Baixo Augusta. Além de ser um dos símbolos do nosso Carnaval e um dos grupos engajados com a luta pela democratização dos espaços públicos, o bloco vem se somar à pluralidade da Roosevelt”, diz o ator Ivam Cabral, diretor executivo da SP Escola de Teatro e fundador da Cia. Os Satyros.

Destaques do Satyrianas 2017

Walcyr Carrasco – Vencedora do Shell de Melhor Autor (2003), a peça “Êxtase”, escrita por Walcyr Carrasco, ganha remontagem da Cia. Satélite, apresentada no dia 2/11, às 19h30, na SP Escola de Teatro. O texto aborda questões das drogas e da dependência química.

Feminino – O sótão da sede da Cia. Pessoal do Faroeste recebe “Solo que Luzia”, fragmento do espetáculo “Curare” no dia 2, às 21h. A peça vai até o ano de 2084 para imaginar uma sociedade na qual as mulheres dominam o mundo.

Cinema – A SP Escola de Teatro recebe as sessões de cinema da programação do festival. Entre os filmes exibidos estão os longas-metragens “Prova de Coragem” (2015), estrelado por Mariana Ximenes e Armando Babaioff, no dia 4/11, às 13h; e “Hipóteses para o Amor e a Verdade” (2015), de Rodolfo García Vázquez, no dia 3/11, às 15h40.

Internacional – Já a performer croata Vesna Mačković apresenta o trabalho “Diferente Eu, Diferente Você” (“Different Me, Different You”), que propõe uma reflexão sobre as diversidade de vozes e linguagens, que distanciam e ao mesmo tempo criam conexões entre as pessoas.

Festival Satyrianas

Quando: de 2 a 5 de novembro de 2017

Ingressos: Pague quanto puder

Programação completa (a partir de sábado)