A Vida no Centro

Pátio do Colégio: origem de São Paulo, com os jesuítas, mas o prédio foi reconstruído na década de 1970
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Tempo de leitura:5 minutos

Conheça 10 lugares imperdíveis no Centro de São Paulo

Do Pateo do Collegio ao Copan e à Praça Roosevelt, um check list dos lugares imperdíveis no centro de São Paulo. Confira se você está antenado

Maior metrópole da América Latina e uma das maiores do mundo, São Paulo tem incontáveis atrativos. E a região central, local de nascimento da cidade, concentra a maior parte dos pontos de interesse. São lugares históricos, mas que vêm sendo renovados com a instalação de cafés, restaurantes, centros culturais e outros atrativos.

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Fizemos um roteiro com 10 lugares imperdíveis para conhecer no Centro de São Paulo, tanto para moradores da cidade que frequentam pouco esta região quanto para turistas – anote aí as dicas para a sua próxima viagem à capital paulista.

Lugares imperdíveis no Centro de São Paulo

Todos os locais são acessíveis de metrô – a melhor maneira de se locomover no Centro de São Paulo é a pé, aproveitando que as distâncias são curtas e existem vários calçadões.

Catedral da Sé

Praça da Sé – Catedral da Sé

O marco zero da cidade – o local a partir do qual as distâncias são calculadas, inclusive a numeração das ruas e a quilometragem das rodovias – fica no meio de uma bela praça, ladeada de prédios históricos e com a Catedral da Sé em seu ponto mais alto.

E, seja você religioso ou não, a catedral sempre vale uma visita, pela importância histórica, escala grandiosa e beleza arquitetônica. Ela foi construída entre 1912 e 1954, e apesar do estilo neogótico tem vários elementos decorativos tropicais, como plantas e animais que remetem à economia e à fauna brasileira.

A visita à catedral e pode ser feita livremente. Mas o subsolo reserva uma surpresa: a cripta, onde estão sepultados personagens importantes da história paulista, como o cacique Tibiriçá, líder indígena da época da fundação da cidade, e vários arcebispos da cidade. O ingresso para a visita guiada à cripta é vendido na bilheteria, do lado esquerdo da nave principal.

Se você quiser realizar o passeio em grande estilo, uma vez por mês é realizado um brunch, que inclui uma visita às torres.

Como chegar: estação Sé do metrô

Pateo do Collegio

Pateo do Collegio

Este é o local de nascimento de São Paulo, escolhido pelos jesuítas para montar seu posto de catequização dos indígenas. O local transpira história e uma construção de paredes brancas, embora não seja original, é a reprodução fiel das primeiras casas erguidas no local. Tem até uma parede original para mostrar como eram as construções naquela época. Além de admirar e tirar fotos na praça, com sua bela fachada em estilo colonial, é possível visitar o Museu Anchieta, com um acervo de arte sacra e a história de São Paulo. Ou ainda apreciar toda essa história de um modo mais confortável: sentado num café, saboreando as deliciosas broas de milho, macias e perfumadas, vendidas no Café do Pateo. O local também serve almoço e abre também aos domingos.

Praça Pateo do Collegio, 2
Café: de terça a sexta, das 9h às 16h30 e sábados e domingo das 9h às 16h30
Como chegar: estação Sé do metrô

CCBB

O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) é um desses locais que fazem a gente pensar que nem tudo que vem dos bancos é ruim para nós. 😉 É um espaço incrível que reúne exposições, filmes, música e teatro. Tudo gratuito ou por um precinho bem camarada. O prédio em si já vale uma visita, nem que seja para uma olhadinha rápida no saguão, com seu pé direito alto e decoração belíssima. O casarão foi construído em 1901, reformado em 1923 para se transformar na imponente sede paulista do Banco do Brasil e funcionou como tal até a década de 1990. Em 2001, novamente reformado, reabriu como CCBB. Tem um café no térreo que vale a visita – e várias fotos da arquitetura também. E ainda um espaço com mesas na calçada e um restaurante no terceiro andar.

Endereço: Rua Álvares Penteado, 112, esquina com Rua da Quitanda

Tel: (11) 3113-3651
Aberto de quarta a segunda, das 9h às 21h
Como chegar: estação São Bento do metrô

Onde passear em SP: Mosteiro São Bento

Mosteiro de São Bento

Outro local ligado à fundação da cidade, já que ali ficava a taba do cacique Tibiriçá. Em 1600 o prédio foi doado pela Câmara aos monges beneditinos e vários prédios foram erguidos no local ao longo dos anos. A construção atual, realizada entre 1910 e 1912, é a quarta, acompanhando o rápido desenvolvimento de São Paulo naquela época. O destaque da igreja de São Bento, além da arquitetura e da rica decoração, é a missa com órgão e canto gregoriano. As missas com canto são realizadas de segunda a sexta, às 7h, e sábados às 6h. Mas a mais concorrida é a de domingo, às 10h, com canto e órgão.

A igreja tem ainda uma outra atração: uma lojinha que vende produtos feitos pelos monges, como pães, biscoitos e geleias. E, no último domingo de cada mês, é servido um concorrido brunch no mosteiro.

Largo de São Bento, 48
Tel. para o brunch: (11) 94075-0593
Como chegar: estação São Bento do metrô

Edifício Altino Arantes, símbolo de São Paulo, foi sede do Banespa e foi vendido para o Santander em 1999

Farol Santander

Batizado oficialmente de Altino Arantes, foi durante várias gerações o edifício-símbolo de São Paulo, com a bandeira do Estado tremulando no alto da antena. Conhecido como Banespão, por ser a sede do Banco do Estado de São Paulo, foi vendido para o espanhol Santander na privatização do banco, em 2000. Depois de alguns anos fechado foi reformado e reabriu em janeiro do ano passado rebatizado de Farol Santander.

O prédio é um dos mais fotogênicos do Centro, com seu formato de torre, e, se faz você se lembrar do Empire State Building, de Nova York, não é por acaso. O governador Ademar de Barros encomendou ainda nos anos 1930 um prédio que fosse a cópia do original americano e celebrasse a riqueza de São Paulo, então um grande exportador de café.

Inaugurado em 1948, foi o prédio mais alto do Brasil até 1960. Hoje, na versão século 21, tem exposição mostrando a história do banco e da economia paulista, exposições de arte imersiva e até uma pista de skate, além de um café no mirante. A partir de fevereiro, terá também um bar no subsolo, o Bar do Cofre, na sala onde ficava o antigo cofre do Banespa.

É preciso comprar ingresso para entrar no prédio, por este link.

Em alguns horários, é possível encontrar na hora.

Rua João Brícola, 24
Horário de funcionamento: de terça a domingo das 9h às 20h
Como chegar: estação São Bento do metrô

Edifício Martinelli visto da doceria Mathilde

Edifício Martinelli visto da doceria Mathilde

Edifício Martinelli/Casa Mathilde

Primeiro arranha-céu de São Paulo e edifício mais alto da América Latina entre 1934 e 1947 (quando perdeu o posto para o Altino Arantes), o Martinelli é um dos prédios mais interessantes do Centro Histórico. Um dos mais fotogênicos também, e da Praça Antonio Prado, onde fica ainda a Bolsa de Valores (agora chamada de B3), é possível fazer fotos incríveis tanto do Farol Santander quanto do Martinelli.

A construção atendeu a um sonho do imigrante italiano Giuseppe Martinelli que teve que enfrentar o medo que os paulistanos tinham de prédios altos e acabou perdendo o edifício para os bancos porque não conseguiu pagar os empréstimos. O Martinelli passou por um período de decadência mas em 1975 foi desapropriado pela Prefeitura e hoje está restaurado e é sede de várias secretarias municipais. Para saber mais sobre a visita ao mirante, clique aqui.

Mas existe um local de onde se pode ter uma excelente vista do Martinelli: a Casa Mathilde, de doces tradicionais portugueses. Embora tenha se instalada neste local há alguns anos, a tradição vem da Casa Mathilde remonta ao fim do século 19, em Portugal. O cardápio é de babar: de pastel de nata e travesseiros de Sintra a guardanapo e pães sovados para os sanduíches. A vista do mezanino é ideal para apreciar o Martinelli e o movimento no calçadão.

Praça Antonio Prado, 76
Segunda a sexta, das 9h às 19h30 e sábado das 9h às 16h30
Como chegar: estação São Bento do metrô

Theatro Municipal, palco de grandes apresentações musicais. Foto: Denize Bacoccina

Theatro Municipal

Construído no início do século 20, quando a elite de São Paulo enriquecia enlouquecidamente com o café e sentia falta de um teatro que pudesse receber artistas internacionais (que já passavam por Buenos Aires em suas turnês), o Theatro Municipal de São Paulo é um edifício belíssimo, com uma bela programação de concertos e óperas. Todo construído com ferros e vidros importados e madeira entalhada pelos artesãos italianos que se estabeleceram na cidade, foi o responsável por estender para o outro lado do Vale do Anhangabaú um núcleo urbano que até o século 19 se concentrava apenas na região entre a Sé e o Mosteiro de São Bento. E ali foi registrado, na inauguração, o primeiro congestionamento de São Paulo (e pensar que eles ficaram orgulhoso disso na época, porque significava progresso). Até hoje o teatro impressiona, e sua arquitetura pode ser observada nas performances artísticas ou nas visitas guiadas.

Praça Ramos de Azevedo, s/nº
Bilheteria:  Tel 11 – 3053 2090
Como chegar: estação Anhangabaú do metrô

Copan

Copan

Projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer no início da década de 1950 como o maior edifício em concreto armado do país, o Copan (abreviatura de Companhia Pan-Americana de Hotéis e Turismo), deveria ser um presente a São Paulo na comemoração dos seus 400 anos, em 1954. Mas problemas financeiros acabaram mudando o projeto original e adiando a construção, que só foi concluída em 1966, já nas mãos de outro arquiteto, Carlos Lemos. O gigante de concreto com 1.160 apartamentos passou por uma fase difícil na década de 1990, e os blocos de quitinete ficaram com fama nada boa. Mas isso é parte do passado. Nos últimos anos, o Copan entrou na moda e seus apartamentos são bastante disputados – tanto que alguns são alugados para fins de semana. Vale a pena conhecer o edifício por fora e admirar suas curvas, passear por sua galeria de lojas e restaurantes – e parar em um dos bares ou restaurantes.

Outro programa imperdível é subir no mirante, no 32º andar, e observar a cidade lá do alto. Dá para fazer isso, de graça. Basta se dirigir à administração, no Bloco F, de segunda a sexta, às 10h20 e 15h20, e colocar o nome no livro. E, de lá de cima, rechear seu Instagram com sua própria coleção de cartões postais.

Endereço: Avenida Ipiranga, 2000

Como chegar: estação República do metrô, saída da Rua 7 de Abril.

Atividades físicas no Minhocão

Minhocão 

Quem nunca foi pode achar estranho: como assim, passear num viaduto, numa faixa elevada de concreto e asfalto? Pois é. Lembra quando se dizia que praia de paulistano é shopping center? Agora as opções são mais variadas e incluem passeios ao ar livre. 😉 O Elevado Presidente João Goulart (era Costa e Silva, mas o nome do ditador foi substituído pelo de outro presidente, há alguns anos) tem quase 3 quilômetros de extensão e é oficialmente um parque nos horários que fica fechado para os veículos, que é de segunda a sexta, das 20h às 7h, e o dia inteiro nos fins de semana e feriado. O local é usado para correr, caminhar, andar de bicicleta, patins, skate, passear com cachorro, bater papo com os amigos, namorar, fazer aulas de yoga, alongamento e até pegar um bronzeado. E é impressionante o número de pessoas passando por ali nas noites quentes deste verão. O Minhocão representa como nenhum outro o conceito de hackeamento e ressignificação do espaço público.

Praça Roosevelt: espaço democrático de convivência

Praça Roosevelt

A Praça Roosevelt é o melhor exemplo de ocupação do espaço público na cidade e um lugar realmente imperdível para quem quer conhecer a vibe contemporânea de São Paulo. É o local onde todas as tribos se encontram. Desde o pessoal de teatro – muitos globais começaram suas carreiras ali nos teatros da Roosevelt – aos frequentadores dos bares. Na praça em si, são moradores com seus pets, skatistas, crianças aprendendo a andar de bicicleta, grupos de atores performático ensaiando, apresentações de slam ou grupos de amigos simplesmente conversando. A praça tem história na cidade: o local foi o berço paulistano da Bossa Nova e endereço de cineclubes como o Cine Bijou (que vai reabrir em breve, leia a matéria aqui) e o Oscarito. Depois de um período de decadência, que teve seu pior momento nos anos 1990, começou a se recuperar com a instalação da cia. de teatro Os Satyros, em 2000, e de outros teatros, o que ajudou a levar um público que começou a demandar a reforma da praça, inaugurada em 2012. Desde então, o movimento é cada vez maior. Além dos 12 bares no entorno, tem um café/bar dentro da praça, atrás da igreja.

Como chegar: estações República, Anhangabaú ou Higienópolis/Mackenzie